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Agora com cinta

por Carla Hilário Quevedo, em 21.04.16

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As Mulheres que Fizeram Roma: 14 Histórias de Poder e Violência foi publicado há cerca de um ano, altura em que Adriana Freire Nogueira, Professora de Clássicas da Universidade do Algarve, escreveu também sobre ele no Cultura.Sul. Aproveito a data da fundação de Roma para o publicar aqui. 

 

Não é frequente serem editados livros de divulgação cultural, escritos originalmente em português, sobre a antiguidade clássica. Só isso já seria razão para me congratular com a recentíssima publicação deste As mulheres que fizeram Roma, da autoria de Carla Hilário Quevedo. Nestes dias em que saiu a notícia que os estabelecimentos de ensino podem ter, no Básico, como Oferta de Escola, disciplinas na área da Introdução à Cultura e Línguas Clássicas, a publicação deste livro só vem reforçar a importância desta componente na educação (relembro que o Latim e o Grego nunca saíram do Ensino Secundário, apesar de parecer que sim. Por exemplo, em Portimão, na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, tem havido Grego no 12º ano, com muito sucesso).

 

Mas a minha satisfação é maior, porque o livro é mesmo de leitura muito agradável. Não se deixem assustar com o subtítulo, 14 Histórias de poder e violência, pois também há histórias de amor, dedicação e honra. É verdade que tudo gira à volta do poder, mas a história tem destas coisas: não fala dos fracos.

 

Carla Hilário Quevedo é cronista no jornal i e no semanário Sol, mas conheci a sua escrita no tempo em que publicava no Expresso, tendo depois passado a segui-la no blogue Bomba Inteligente. Já nessa época, Carla Quevedo manifestava o seu interesse pela antiguidade: conhecedora do grego moderno e licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês/Alemão), fez mestrado em Estudos Clássicos, tendo aprendido grego antigo e latim.

 

Pareceu-me importante esta contextualização para melhor enquadrar este livro, pois é sempre bom sabermos quem são os autores que lemos, principalmente quando não se trata de ficção.

 

Facto e ficção

 

Escrever sobre mulheres do mundo romano implica conhecer factos e reconhecer que muito do que foi escrito como verdade é, na realidade, ficção. A primeira história deste livro é a de Reia Sílvia, uma vestal (sacerdotisa da deusa Vesta, que tinha de ser virgem, sob pena de ser enterrada viva) que surge grávida, explicando o fenómeno por ter sido violada pelo deus Marte. Como contrapartida, os seus filhos (estava à espera de gémeos) seriam um marco na história da humanidade, visto que «um deles seria o fundador da grande cidade de um povo não menos grandioso» (p.24): Rómulo fundaria Roma.

 

Para os romanos, Reia Sílvia fazia parte da sua história, tal como outras mulheres que sabemos que existiram. E sobre essas, o que se sabe é facto ou ficção?

 

Carla Quevedo questiona muitas vezes as fontes que demonizavam algumas destas mulheres, não se coibindo de desmontar as acusações, quantas vezes absurdas, e emitir a sua opinião. Por exemplo, a propósito do desaparecimento de Tibério e do facto de Lívia, sua mãe, que tanto lutou para que o filho chegasse a imperador, ter sido uma das pessoas suspeitas de estarem envolvidas na sua morte, pois, «por causa do filho tinha perdido honras concedidas por Augusto», a autora afirma: «Esta hipótese que consideramos tresloucada é avançada por Tácito» (p. 112).

 

Não quero com isto dizer que procure branquear os acontecimentos, mas sim que não aceita sem questionar as fontes que, muitas vezes, servem interesses políticos (contra os homens de poder), nos retratos que fazem das mulheres. Sobre Messalina, diz-nos, no final do capítulo: «Messalina pode não ter sido a meretriz entediada que chegou até nós, mas havia muito no seu comportamento que não se adequava ao que era esperado de uma mulher da sua posição. Por isso não nos deverá surpreender que tenha sido usada quando se tratou de denegrir Cláudio e a sua dinastia. É verdade que pode não ter sido bem assim. Porém, temos a certeza de que não seria a candidata ideal para honrar a deusa Vesta. Ou como diríamos hoje, Messalina não era santa nenhuma» (p.122).

 

O que se aprende

 

Aprende-se muito com este livro. Não só sobre história de Roma, mas sobre relações humanas, familiares e de poder. Mas mais do que isso: concentra-se aqui, explicado de uma forma clara e simples, elementos de legislação romana (tão próxima de nós, ou não fosse o direito romano o nosso antepassado), de tradições, de cultura.

 

A situação das mulheres no casamento é a questão que mais aparece, por serem elas as protagonistas e por só existirem e serem faladas pelo seu relacionamento com homens (normalmente maridos e filhos).

 

No cap. II, ao referir o rapto das jovens sabinas (por parte dos romanos que queriam constituir família, tal era a escassez de mulheres), conta que apenas uma mulher casada foi raptada e, mesmo assim, por engano. A lei permitiria «matar um adúltero, i.e., um homem que adulterava a mulher casada, apanhado em flagrante, mas um homem que violasse uma mulher que não era casada tinha apenas que pagar uma multa» (p.33). Por coincidência, esse adúltero era o próprio Rómulo e foi Hersília, a sabina, que convenceu o marido a não entrar em guerra com os romanos.

 

Vamos vendo, assim, como as leis mudam ao sabor dos quereres dos imperadores, influenciados ou não por mulheres. Augusto, preocupado com a natalidade, «decretou multas para homens e mulheres sem filhos e estabeleceu recompensas monetárias para os plebeus que provassem ter filhos», penalizando ainda «os homens que casassem com prostitutas ou actrizes e regulamentou o divórcio. Instituiu o dever de casar para homens e mulheres viúvos que não tivessem no mínimo três filhos. Em 18 a.C. criou a lex Iulia de adulteriis, que penalizava o adultério» (p.102). Mais: «o marido de mulher adúltera que não se divorciasse imediatamente dela era considerado seu proxeneta. Estava proibido de a matar, mas podia decidir sobre o seu exílio» (p.118).

 

Quando Agripina viu uma possibilidade de «colocar [o filho] Nero na linha de sucessão do trono», sabia também que «teria primeiro de casar com o tio, que seduziu com competência. Fazendo uso do direito que tinha de lhe tocar, por ser sua sobrinha, Agripina depressa encantou Cláudio. Os casamentos entre familiares eram considerados incesto e por isso eram expressamente proibidos por lei. (…) Um ou outro suborno pode ter ajudado a persuadir senadores indecisos» (p.129) e a verdade é que a lei foi alterada.

 

Catorze são as histórias de vida de mulheres sobreviventes, ao longo de mil anos (de 510 a.C. a 450 d.C.).

 

Carla Quevedo rodeou-se de uma bibliografia (que apresenta no final) que poderá ser também muito útil para quem quiser ler mais sobre o assunto. Cada capítulo tem notas no fim do livro e não no pé da página, fazendo com que a leitura flua escorreita.

 

Uma obra que nos faz pensar na condição da mulher naquele (e no nosso) tempo.

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publicado às 09:36

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 17.04.16

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Audrey Hepburn

 

... a tentar apanhar uma Lied de Schubert no Shazam com a capa do CD na mão. O Shazam não reconhece a Lied porque não deve ter "armazenada" a gravação. Podia ser uma metáfora de qualquer coisa. Ainda não sei do quê. 

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publicado às 10:02

Estado em que se encontra este blogue

por Carla Hilário Quevedo, em 15.04.16

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 Winslow Homer, Shooting the Rapids, Saguenay River, 1905-1910

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publicado às 19:03

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 14.04.16

Youth (muito bom).

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publicado às 19:40

PUB

por Carla Hilário Quevedo, em 11.04.16

António Feijó

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publicado às 18:22

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 10.04.16

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 Vera Farmiga

 

... a pensar que as minhas séries preferidas hoje são Masters of Sex e Bates Motel. Por causa da complexidade das personagens, dos extraordinários actores, da complicação das histórias. Norma Bates é uma mulher prática e delicada, características que vão ao encontro de um certo imaginário sobre mulheres e que é tão atractivo quanto assustador. Além de tudo, que é muito, está sempre muitíssimo bem vestida. Love!

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publicado às 09:50

Blockbomba

por Carla Hilário Quevedo, em 09.04.16

Spy (superfã da Melissa McCarthy).

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publicado às 18:48

Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 09.04.16

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 Elizabeth Taylor

 

... o caso das "bofetadas", que pouco ou nada tem que ver com bofetadas, teve o mérito de servir de distracção à tristeza. Não lhe chamam infotainment por acaso. A pessoa fica informada ao mesmo tempo que é entretida, quase embalada, na sucessão de análises sobre o caso. Não ouvi, no entanto, ninguém dizer que se trata de uma questão de poder puro e simples. Andam muito à volta das "salutares bofetadas", mas o que me parece divertido é haver um ministro que acha que "tem direito à sua opinião" e um primeiro-ministro que não hesita em aproveitar a falta de noção para mostrar quem manda. João Soares achava que era livre e imperador, que podia "ser ele próprio", ter Facebook, andar à solta a dizer coisas e a fazer selfies. Depois bateu de frente com a realidade, como se diz agora. E a realidade é que acabou por ser usado para reforçar a autoridade de António Costa. Não podia ter corrido melhor.

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publicado às 08:52

13

por Carla Hilário Quevedo, em 05.04.16

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 Cartoon já antigo mas sempre actual de Lee Lorenz, na revista The New Yorker

 

O bomba inteligente cumpriu 13 anos no dia 2 de Abril. Não me apetece festejar mas agradeço a lembrança ao sempre amável Pedro Correia

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publicado às 15:13

Obra feita

por Carla Hilário Quevedo, em 05.04.16

The New Yorker

Cartoon de Mark Twohy, na revista The New Yorker

 

O Varandas, como qualquer gato que se preze, deixa uma obra vasta (na opinião de especialistas) ou um rasto de destruição (segundo os leigos). As costas dos sofás, apesar do espaço, nunca o interessaram e o seu estilo não se caracteriza pela técnica de cravar as unhas e deixar-se escorregar preguiçosamente por ali abaixo. Os cantos e os braços dos sofás, os lados das cadeiras forradas e até alguns cantos de parapeitos revestidos a gesso (uma preferência de juventude) eram mais adequados à técnica do pontilhado (mais conhecido por pontilhismo) que praticou ao longo da vida, seguindo mestres como Seurat ou Signac. Apreciador da minúcia, fez um trabalhinho competente do lado esquerdo de um cadeirão de pele. O treino intenso desta técnica está presente num canto acessível, já rasgado de tanto pontilhar, de um dos sofás. A insensibilidade humana à arte varandiana levou à substituição dos forros das cadeiras por novos e de material menos "pontilhável" (na medida do possível, que é nenhuma), mas as telas já não estavam em condições. O querido gatinho deixou a sua marca e não tenciono para já comprar móveis novos.

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publicado às 14:50