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Chorar perdidamente

por Carla Hilário Quevedo, em 13.01.17

A choradeira tem sido mais que muita nos últimos dias, por causa da despedida de Barack Obama. É normal: o que vem aí é aterrador de tão mau. Gostei do que Alec Baldwin disse sobre o discurso de Meryl Streep nos Golden Globes. A actriz não se referiu ao modo inaceitável como Trump falou das mulheres, mas mostrou como as mulheres, muitas pelo menos, vêem esta eleição: com uma mistura de tristeza, revolta e desolação. Na verdade, Trump confirmou receios e, o pior de tudo, conseguiu que o seu "discurso" misógino e de divisão fosse legitimado pelo voto. Pode ser tudo "só política", manipulação básica de partes da população que se sentem mal e por isso acreditam que têm razão (e que a culpa do seu mal-estar é dos outros), mas o que é certo é que Trump ganhou. Por mim, fico à espera que desapareça de cena. Até lá, bloqueei o nome 'Donald Trump' no Twitter, além da conta. Cada um sobrevive como pode.

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publicado às 10:17

Na América tudo é possível...

por Carla Hilário Quevedo, em 11.01.17

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Fotografia de Pete Souza

 

... até o melhor ser eleito Presidente e governar durante oito anos. Já tenho saudades. Fica o discurso de despedida, que, como sempre, é muito mais do que um simples discurso: "It’s that spirit – a faith in reason, and enterprise, and the primacy of right over might, that allowed us to resist the lure of fascism and tyranny during the Great Depression, and build a post-World War II order with other democracies, an order based not just on military power or national affiliations but on principles – the rule of law, human rights, freedoms of religion, speech, assembly, and an independent press." 

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publicado às 11:28

Amizade feminina

por Carla Hilário Quevedo, em 09.01.17

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Sansa Stark ajuda a irmã, Arya Stark, na red carpet dos Golden Globes.

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publicado às 08:22

Ricardo Piglia (1941-2017)

por Carla Hilário Quevedo, em 07.01.17

Fui apresentada em tempos ao escritor e professor Ricardo Piglia e assisti aos seus programas na televisão pública argentina sobre Jorge Luis Borges. Lembro hoje que aqui estão o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto

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publicado às 10:38

Falhar melhor (3)

por Carla Hilário Quevedo, em 07.01.17

Um dos artigos de que mais gostei no ano passado foi escrito por Hadley Freeman. O título Mariah wants $50m from her ex - and it only makes me love her more dizia quase tudo. Mariah Carey ficou noiva de um bilionário adepto da cientologia (que se confunde com "citologia") australiano irrelevante. O noivado acabou 10 meses depois e a diva exigiu 50 milhões de dólares como uma espécie de "compensação pelo incómodo". A imprensa tablóide, que é em geral estúpida, não tem vida e não gosta de mulheres, ridicularizou Mariah Carey. Faço minhas as palavras de Hadley Freeman, que tem a delicadeza de terminar com uma certeira última frase: "Pretty much all my favourite celebrity women have been described as divas – Diana Ross, Cher, Mary J Blige, Carey – because they’re awesome and they demand their due respect (and kittens). Divas act as necessary counterbalances in a world that sees anything other than self-deprecation or self-effacement in a woman as unnatural, ugly and laughable, and if I was the education secretary I would honestly put diva lessons on the school syllabus for girls. So you go get your inconvenience fee, Mariah. You’re worth it and God bless you for knowing it."

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publicado às 10:35

Falhar melhor (2)

por Carla Hilário Quevedo, em 05.01.17

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Cartoon de Emily Flake para The New Yorker

 

Já vamos no dia 5 e ainda se discute o que terá acontecido na actuação desastrosa de fim de ano de Mariah Carey. Terá sido culpa da produção, a Dick Clark Productions, ou de Mariah Carey, que ensaiou pouco? Terá sido propositado (uma hipótese avançada pela cantora) para criar um momento viral? Mas para quê? Este artigo é interessante para quem quiser perceber o que pode ter acontecido. Só me parece errado criticar Mariah Carey por se ter fartado e nem sequer ter salvo o final da actuação. Gostei de a ver não tentar salvar aquilo que não tinha salvação possível. Mas há cinco dias que ando com este otoverme

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publicado às 13:14

"Buy an alarm clock"

por Carla Hilário Quevedo, em 03.01.17

Simon Sinek fala sobre a geração que nasceu na década de 80, mas muito do que diz também se aplica a adultos que pensam que 'ser adulto' não é bom (quando é a melhor coisa que há). Fala muito sobre 'moderação' -- um clássico.

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publicado às 11:48

Ler em voz alta (2)

por Carla Hilário Quevedo, em 02.01.17

Descobri Frederick Seidel a ler France Now, um poema que está nas páginas 10 e 11 do seu livro mais recente, Widening Income Inequality, publicado há um ano. Começa tão bem:

 

I slide my swastika into your lubricious Place Clichy.

I like my women horizontal and when they stand up vicious and Vichy.

I want to jackboot rythmically down your Champs-Élysées

With my behind behind me taking selfies of the Grand Palais.

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publicado às 17:48

Ler em voz alta

por Carla Hilário Quevedo, em 02.01.17

Descobri Frederick Seidel a ler Robespierre.

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publicado às 17:39

Falhar melhor

por Carla Hilário Quevedo, em 02.01.17

Esclarece o New York Times numa notícia sobre o falhanço espectacular de Mariah Carey na performance de fim de ano em Times Square: 'Correction: January 1, 2017: An earlier version of this article misstated a quotation from Mariah Carey. She said, “It just don’t get any better,” not, “It just doesn’t get any better.”' Um milhão de pessoas assistia ao vivo, e aposto que a maioria não deu por nada. Por mim, gostei de ver o sangue-frio de Mariah Carey, apesar da desolação perante tudo a correr tão mal. Bravo!

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publicado às 10:41

E de expor

por Carla Hilário Quevedo, em 02.01.17

O Tiago Cavaco escreveu o seguinte no seu balanço do ano: "E de esgoto - Sei que a imagem é exagerada mas as redes sociais frequentemente são esgotos a céu aberto tratados como se fossem praias. Deixei de ter amigos no Facebook há quase três anos, criando a página de perfil público para ir lá despejar os sermões e os textos do blogue. Isso quer dizer que, com raras excepções, deixei de ver o que as pessoas lá escrevem. A minha vida melhorou imensamente. Por exemplo, não vejo o que as pessoas da minha congregação escrevem, o que aumentou a liberdade dos meus sermões (ninguém vai pensar "esta é para mim" e posso dizer o que devo sem estar a pensa que alguém vai pensar "esta é para mim"). Mas ainda há pouco tempo um amigo chamou-me a atenção para um texto de um outro amigo que temos em comum e que era possível de ser lido por qualquer pessoa. Não resisti e fui lá espreitar (hoje, acho que não deveria ter ido). A coisa era uma vergonha que colocava em causa o bom nome de pessoas que não se podiam defender. No entanto, estava cheia de gente que estimo e respeito, chafurdando naquela lama como quem passa um dia de férias no litoral. Pensei: por que nos des-sensibilizámos ao ponto de preferirmos uma opinião imediata dita em tom porreirista à prudência de pensar duas vezes antes de dizer algo que condena quem não se pode defender? Se mais redes sociais quer dizer menos decência, vale a pena ter menos redes sociais."

 

Compreendo a raiva, mas "ter menos redes sociais", nomeadamente o Facebook, só seria possível se as pessoas deixassem de procurar reconhecimento em forma de "likes" para desabafos estúpidos ou opiniões falsas e até difamatórias. Não é tudo assim, mas é muito. Tenho uma má notícia: isto não tem solução, a não ser ignorar. Houve em tempos quem se queixasse dos blogues. Seria bom que admitissem como estavam enganados. 

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publicado às 10:08

Cumprir regras

por Carla Hilário Quevedo, em 01.01.17

"The ancient monastic tradition called a “rule” offers a simple, compelling way to set those boundaries. In monastic communities, a rule represents a voluntary commitment to do and not do particular things. It is a decision, made in a time of clarity, that helps guide choices the rest of the time. Rules turn intentions into specific commitments, commitments into actions, actions into habits and habits into a way of life." Belo artigo no Washington Post sobre um problema inútil que afecta a vida de muitas pessoas. 

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publicado às 09:46

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