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Diário estival (18)

por Carla Hilário Quevedo, em 28.08.17

- Corrijo de novo, baseada no que disse o Ricardo Araújo Pereira no Governo Sombra: os blocos de actividades foram mesmo retirados do mercado, após a recomendação da CIG. Não tenho tempo para comentar com pormenor esta entrevista de Teresa Fragoso, mas educar não consiste em impedir que as pessoas pensem de uma determinada forma. E não sejamos inocentes ao ponto de pensar que as pessoas são um produto daquilo a que foram expostas na infância. Não parece, mas é uma ideia optimista. Educar é explicar e repetir; às vezes esperar que passe um interesse que parece pouco saudável e, em geral, é preciso ter paciência. Proibir impede a explicação. Proteger nem sempre é positivo. E, acima de tudo, nunca se escolhe um livro por causa da capa.

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publicado às 08:10

Diário estival (17)

por Carla Hilário Quevedo, em 26.08.17

- Gostei de ler este post de uma pessoa que trabalha na Porto Editora, sobre a polémica dos livros de actividades para rapazes e raparigas. Aproveito para corrigir o que escrevi: a comercialização dos livros foi suspensa (ou seja, não houve livros retirados do mercado).

- Há "palavras pesadas" a circular com uma insistência nunca vista. Há imensa gente nas redes sociais - a viver literalmente no Twitter e no Facebook - que está completamente viciada na indignação e que se considera a mais digna representante dos injustiçados e oprimidos. Só tenho a dizer que se fosse uma causa, não quereria ser defendida por estas pessoas. Não lêem e por isso não sabem ler, não têm conhecimento - por isso se indignam com tudo -, na maior parte das vezes são ignorantes profundas e em muitos casos não passam de analfabetas. Jogam com um sentimento de perda ou de injustiça e manipulam sobre a emoção. O resultado disto é termos problemas graves (racismo, sexismo), com consequências sérias na vida das pessoas, reduzidos ao ridículo. Se tudo é um problema, então nada é importante.

- Divertido este cartoon de Julia Suits.

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publicado às 08:08

Diário estival (16)

por Carla Hilário Quevedo, em 25.08.17

- Confesso que a polémica a respeito dos livros de actividades da Porto Editora, agora retirados de circulação, não me atrai tanto quanto a do memo armado em descoberta científica de James Damore, a vítima despedida da Google por ter defendido a "tese" de que é a biologia que afasta as raparigas da engenharia informática. Não era preciso ler mais nada daquele manifesto cobarde - sim, o medinho é real - mas houve muita gente a ir naquela conversa. Vêem um gráfico e acreditam logo no poder dos astros.

- Sobre os livros, não me choca o cor-de-rosa nas meninas e o azul nos rapazes, e o facto de o exercício do labirinto ser mais fácil para as raparigas é só tolo. Como bem lembrou o Bruno Vieira Amaral, "se não fosse Ariadne, Teseu teria sido comido pelo Minotauro". Acho esquisito haver livros de actividades diferentes para meninos e meninas, mas a Porto Editora é uma empresa privada (que eu saiba) que toma as suas decisões baseadas naquilo que julga serem as exigências do mercado. As pessoas deixam de comprar os livros e acabam as edições. Esta é a maneira certa, e de resto profunda, de resolver o assunto. Por isso, não posso concordar de maneira nenhuma com a intervenção do Governo nesta questão. É um péssimo antecedente.

- Gostei de ler este artigo de Helena Garrido. 

- A minha experiência de brincadeira não obedeceu a nenhum critério. Brinquei com bonecas, carros e carrinhos e adorava legos. Um dos meus grandes amigos de infância brincava com bonecas comigo e com a irmã dele. Nunca nenhum adulto nos impediu de fazermos o que nos apetecia (não éramos delinquentes; só crianças). Só me lembro de a minha avó me dizer que era feio as meninas assobiarem. Amei-a profundamente e nunca lhe obedeci.

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publicado às 08:28

Diário estival (15)

por Carla Hilário Quevedo, em 24.08.17

- Há personagens em Ray Donovan que me despertam compaixão. É uma grande série e pouco falada. 

- É triste assistir ao desaparecimento de títulos na imprensa a que nos habituámos desde sempre, mas a verdade pura e dura é que a imprensa escrita e em formato de papel tem cavado a sua própria sepultura aos poucos. Com excepções de sucesso, e havendo obviamente bons profissionais em todo o lado, as decisões tomadas não têm sido eficazes para sustentar a existência de jornais e revistas em papel. Primeiro houve quem tivesse a brilhante ideia de disponibilizar conteúdos na net de graça. Ora, por que diabo hei-de eu comprar o que me oferecem de graça? Também a qualidade caiu a pique e ninguém está interessado em comprar um jornal ou uma revista que insiste em temas idiotas que acabámos de ver no Facebook ou que analisa crises nacionais e internacionais a partir de timelines. É uma espécie de elitismo em pobre. Peço desculpa pela sinceridade, mas só me surpreende que tenham durado tanto.

- Deve haver muita gente no meio deslumbrada com números de visualizações e viciada em likes. Porém, na maior parte dos casos, trata-se de uma ilusão de interesse da parte dos "leitores". É grátis pôr um like e não significa nada. Se dedicar o meu tempo ao Facebook, com posts e comentários, terei muitos likes. Ganha popularidade quem investe mais. Achar que há consequências financeiras desta atenção é uma ilusão. Na maior parte dos casos, não há.

- Muitos utilizadores das redes sociais e "leitores" estão viciados em caixas de comentários. Ainda não percebi bem o que querem estas pessoas e de que doença exactamente padecem. Recomendo pragmatismo. Compram jornais? Assinam as edições online? Aposto que não. Até porque passam o dia a trocar insultos, vá-se lá saber sobre o quê. Gostei de ler este artigo de António Guerreiro sobre as caixas de comentários nas edições dos jornais online.

- Concluindo por agora, pois obviamente há muito mais a dizer, a imprensa escrita cometeu erros graves e arriscaria dizer que muito por vaidade. Quis competir pela atenção com meios "gratuitos", como blogues e redes sociais, e perdeu o foco do negócio. O que esperavam que acontecesse? 

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publicado às 10:04

Diário estival (14)

por Carla Hilário Quevedo, em 23.08.17

- Infelizmente, não consegui ver a série alemã que foi transmitida na RTP 2 sobre a Segunda Guerra Mundial. Vi o primeiro episódio e não consegui ver mais. Tenho pena, mas é demasiado violenta para mim. 

- Nas conversas sobre doenças e pessoas que morrem prematuramente, há que estabelecer um limite. "Podes contar duas histórias horríveis. Mais não." É uma questão de educação e não temos tempo suficiente de vida para nos dedicarmos com tanto empenho à desgraça.

- Por falar em doenças, o meu interesse no tema é teórico e linguístico. Ajuda ter um interlocutor que está sempre disponível para falar de Medicina e para esclarecer as minhas dúvidas terminológicas. Fiquei a saber que há uma diferença entre "sintomas" e "sinais". Uma dor de cabeça pode ser um sintoma de uma doença, mas uma perna inchada é um sinal. O diagnóstico é o resultado desta conjugação de sintomas e sinais (e síndromes, em certos casos). Abusando de Freud, às vezes uma dor de cabeça é só uma dor de cabeça. 

- Lembro-me há uns anos de ter dito ao meu pai que a melhor droga do mundo era o Valium e de ter olhado para mim, não com a surpresa dissimulada que existe na maioria das pessoas, mas como se estivesse a pensar na sua lista de medicamentos preferidos. Falámos brevemente sobre a aspirina, claro, e sobre os milagres da cortisona. E no fim deu-me razão.

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publicado às 09:28

Diário estival (13)

por Carla Hilário Quevedo, em 22.08.17

- Bonnie Tyler a cantar "Total Eclipse of the Heart" num cruzeiro durante o eclipse solar é a fasquia da piroseira a subir rapidamente, logo a seguir ao terço iluminado de Joana Vasconcelos em Fátima.  

- Divertida foto de David Burnett de crianças no Kentucky a verem o eclipse. É certo que até o pateta do Trump fica bem com aqueles óculos.

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- Na mais recente edição da New Yorker, Louis Menand, que é (além de tudo o que intuímos a partir da sua nota biográfica) um freudiano ou simpatizante ou ex-analisado ou analisando, desmonta com muita paciência a tese de um ex-freudiano ressentido, Frederik Crews, professor emérito da Universidade de Berkeley. O ataque de Crews às teorias de Freud baseia-se, muito resumidamente, na demonstração de incoerências na vida de Freud como provas de fragilidade no seu pensamento. Crews terá cedido à estupidez (ou terá sido um impulso?) de atacar Freud por supostamente estar sob o efeito de cocaína quando escreveu o célebre primeiro ensaio sobre a Interpretação dos Sonhos, como se isso invalidasse um acto fundador da psicanálise. A ênfase está, precisamente, em "acto fundador". A criação original, passo a redundância, é confusa, mal amanhada, incoerente em si mesma. Por conseguinte, é irrelevante o estado em que estava o criador. Também fiquei interessada em pelo menos dar uma vista de olhos às duas primeiras edições do DSM, depois de saber que foram compostos por freudianos que fugiram para os Estados Unidos. É a partir da terceira edição que o DSM começa a classificar quase todos os comportamentos humanos como perturbações ou potencialmente problemáticos.

- O episódio de ontem de Game of Thrones foi criticado no Twitter por espectadores exigentes. Por mim, Game of Thrones está perfeito, agora que sabemos que, afinal, ficava tudo ali tão perto. Da Muralha até à zona gelada a Norte da Muralha é uma corridinha e de Dragonstone (que sítio deslumbrante) a Kingslanding é como da Costa da Caparica à Baixa. Brienne of Tarth chega de certeza  para a semana a Kingslanding (Lisboa) vinda de Winterfell (Porto). Vai ser rápido, vão ver.

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publicado às 09:16

Diário estival (12)

por Carla Hilário Quevedo, em 21.08.17

- Bom obituário de Jerry Lewis, que foi mais amado em França do que nos Estados Unidos.

- A propósito de um tweet de Obama há dias, na sequência dos acontecimentos em Charlottesville, citando Nelson Mandela, lembrei-me de uma canção de South Pacific, de Rodgers e Hammerstein, que já tinha passado por aqui há uns anos. Entretanto descarregaram este vídeo no YouTube, com Oscar Hammerstein a apresentar o tema. Há quem acredite que nascemos a odiar quem é diferente de nós. É uma ideia que não dá hipótese a ninguém de nada.

 

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publicado às 09:47

Diário estival (11)

por Carla Hilário Quevedo, em 20.08.17

- O melhor conselho de todos os tempos não nos chega de um passado longínquo, não foi Séneca que inventou, nem Emerson que recuperou nem existe, creio eu, em nenhum livro de auto-ajuda. O melhor conselho apareceu na internet. Já existia na época áurea dos blogues, sobretudo por causa das caixas de comentários, e continua mais vivo que nunca nas redes sociais. O conselho é "don't feed the trolls". Nunca o fiz, mas apenas por uma questão de temperamento. Não penso que tenha mérito neste caso.

- Também gosto muito da velhinha advertência no portão do jardim: "cuidado com o cão". É prima de "don't feed the trolls". Edward Steed, o cartoonista mais punk da New Yorker, uniu os dois apotegmas num desenho. 

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publicado às 11:35

Diário estival (10)

por Carla Hilário Quevedo, em 19.08.17

- A Nike bem tenta vender as suas sapatilhas para ioga, barra de chão ou pilates, mas não me convencem. Os comentários não são nada favoráveis. Os australianos percebem melhor do assunto: este modelo é comprovadamente excelente e este é lindo de morrer. Interessante a nota biográfica do fundador, Jacob Bloch.

- Gostei muito deste vídeo da New Yorker com a despedida de Diana Vishneva do American Ballet Theatre. Mais do que das performances espectaculares, gosto de ver os vídeos dos treinos, onde percebemos o processo, as tentativas e os erros. É neste processo que existe novidade e frescura. A conclusão, o dia de estreia, aquele momento em que tudo sai bem ou mal à frente de toda a gente, nada mais é do que uma coisa experimentada mil vezes. 

 

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publicado às 11:14

Diário estival (9)

por Carla Hilário Quevedo, em 18.08.17

Pauline Hanson, líder do partido de extrema-direita australiano, usou uma burka no parlamento para defender a proibição desta vestimenta no país. Estou completamente de acordo com a intenção e com a forma de combate. Pensava que experimentar o incómodo de conviver com uma pessoa que não se dá a ver falaria mais alto. Mas a reacção foi uma espécie de reprimenda do procurador-geral George Brandis: "To ridicule that community, to drive it into a corner, to mock its religious garments, is an appalling thing to do and I would ask you reflect on what you have done". Trata-se de um puxão de orelhas ignorante, porque a burka não é um símbolo religioso, mas uma vestimenta tribal, usada e tolerada por facções muçulmanas extremadas e radicalizadas. Tolerada também por ignorantes e indiferentes em geral.

- Descendentes directos de Robert E. Lee, Jefferson Davis e Stonewall Jackson vieram a público apoiar a retirada das estátuas dos generais confederados. Numa primeira leitura desta controvérsia tão interessante, parece pacífico que devam passar a estar em museus. Não se trata de negar a história, mas basta pensarmos na famosa queda da estátua de Saddam para percebermos que os símbolos têm importância. Pormenor relevante: por enquanto, não há uma guerra civil nos Estados Unidos. Um modo de a evitar pode ser fazer com que a lei seja cumprida, reprimindo a violência da multidão: "The issue is whether the decision to remove municipal property is done with due process and certainly not via the actions of a violent mob." Gostei de ler este artigo

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publicado às 10:42

Diário estival (8)

por Carla Hilário Quevedo, em 17.08.17

- Acho saudável que nesta conversa interminável sobre o memo do funcionário astrólogo despedido da Google (lembro que a "tese" é a de que as mulheres têm uma disposição biológica para a engenharia informática como os nativos de Carneiro têm para a moderação) me tenham irritado sobretudo os artigos escritos por homens "em defesa" das mulheres, já se sabe que biologicamente indefesas e necessitadas de protecção constante, como se, mais uma vez, lhes coubesse ditar regras numa conversa que não lhes pertence. Já viam este vídeo no mais absoluto silêncio. Adivinhem quem é o drone.

 

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publicado às 08:02

Diário estival (7)

por Carla Hilário Quevedo, em 16.08.17

- Denial é um bom filme sobre o negacionismo baseado numa história real. A Professora Deborah Esther Lipstadt, que foi acusada de difamação pelo revisionista David Irving, tem uma história de vida mais interessante do que aquilo que nos é apresentado no filme. Julgo que é propositado, porque os advogados de defesa não querem que fale, para que tudo se concentre na exposição da mentira de Irving. Fiquei a saber várias coisas que não sabia a respeito do sistema jurídico inglês, tais como que o ónus da prova recai (será "recair" o verbo?) sobre o acusado. Ou seja, quem é acusado é que tem de se defender. Há um momento alto no filme, quando o juiz pede para a defesa esclarecer a relação que fez entre o antisemitismo de Irving e a sua defesa do negacionismo. A pergunta é delicada e toca numa questão importante: se Irving acredita naquilo que está a dizer, então trata-se "apenas" de estar enganado e não de mentir deliberadamente. Felizmente, a defesa argumenta com convicção. Irving já tinha sido condenado na Áustria em 1989 por causa de um discurso revisionista e Lipstadt, por defender a liberdade de expressão, tinha sido na altura contra a pena de prisão de três anos. Fez o que tinha a fazer: desmascarou uma fraude e não deixou passar uma mentira abjecta. 

- Por falar em nazis, o que se passa nos Estados Unidos é mau demais. É caso para fumar um cigarro.

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publicado às 09:32

Diário estival (6)

por Carla Hilário Quevedo, em 15.08.17

- Numa entrevista a António Araújo, a dada altura é feita esta pergunta a propósito de uma resposta em que é invocada uma certa atitude de ligeireza da imprensa, semelhante à dos blogues: "Aliás, vemos um historiador como Rui Ramos a escrever verdadeiros panfletos. É correta a sua atitude?". Há uma grande animosidade relativamente a Rui Ramos da parte de sectores mais à esquerda. A irritação na pergunta é evidente. Há ainda hoje quem acredite que os intelectuais de direita não podem existir. A ideia é, naturalmente, de uma esquerda que se reclama dona da cultura, da educação, da literatura e da história. Mas a pergunta fez-me pensar na derrocada da imprensa em Portugal, com vendas que assustam qualquer pessoa que gosta de jornais, que os lê e que entende serem vitais numa sociedade democrática. Os jornais em Portugal há muito que deixaram de ser dirigidos por intelectuais. A grande força do Observador, a sua diferença, é precisamente ter um intelectual como Rui Ramos na direcção. A minha crítica ao Observador é a crítica que faço a todos os jornais: faltam mulheres (nos conselhos de administração, nas direcções, na opinião). Só com homens, e ainda por cima todos tão parecidos, com poucas excepções, ninguém vai a lado nenhum. (E eu agora não posso.)

- A sétima temporada de Game of Thrones é puro prazer. É uma festa de ἀναγνώρισις em todos os episódios e em tantos momentos nos episódios. Ontem simpatizei com Samwell Tarly: "I'm tired of reading about the achievements of better men." O cansaço leva a que actue. 

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publicado às 12:01

Diário estival (5)

por Carla Hilário Quevedo, em 14.08.17

- Herman José é um génio e a sua conta de instagram, com as instastories, fotografias e vídeos, só mostra aquilo que sempre soubemos. O verdadeiro génio não deixa de o ser com o passar do tempo. E pelo que podemos ver diariamente, está melhor que nunca.

- Cindy Sherman tem uma conta de instagram em que também utiliza o grotesco. Não gosto. Falta verdade à caricatura que não tem humor. 

- Dei por mim a gostar de um polo, o que é estranho porque nunca gostei deste tipo de blusa. Deve ser da cor argentina.

- Tenho ideia de há tempos ter eleito Mano a Mano como o meu tango preferido, mas este ano disse-o em voz alta, sem hesitações. Houve anos de dúvida: Naranjo en Flor, Cambalache, Mano a Mano. Depois o Carlos descobriu o extraordinário Ninguna. Para mim, é Mano a Mano, de 1923. Música de Carlos Gardel e José Razzano e letra de Celedonio Flores

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publicado às 09:46

Diário estival (4)

por Carla Hilário Quevedo, em 13.08.17

- É engraçado, mas na luta terrível entre o funcionário que "diz o que pensa" - o caso de Damore - e que mostra ao mundo "a verdade" - os casos de Assange ou Snowden - e as grandes corporações, entidades poderosas e, para todos os efeitos, anónimas, fico do lado do "opressor capitalista" e ganho um desprezo à "vítima rebelde" à medida que o tempo vai passando. Também tenho o meu lado reaccionário. Damore é um triste injustiçado por ter escrito em dez páginas (com tanto que há para dizer em dez páginas) que a biologia determinava a falta de interesse das mulheres pela engenharia informática. É uma conversa que dura há séculos, com variantes. Em 2017, a única resposta possível é esta, com um agradecimento a este candidato à autarquia de Montemor-o-Novo pela sua eloquência.

 

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publicado às 10:40

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