Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Diário estival (3)

por Carla Hilário Quevedo, em 12.08.17

- James Damore, o funcionário da Google que foi despedido por ter escrito um memo de dez páginas sobre "diferenças biológicas" entre homens e mulheres, as quais, segundo Damore, justificam a ausência de mulheres em empresas como a Google, escreveu uma carta de queixinhas no Wall Street Journal. Trata-se claramente de uma pessoa que se julga no direito a dar a sua opinião - uma opinião errada, que ajuda a perpetuar preconceitos que, by the way, são péssimos para os negócios - num contexto de trabalho com regras específicas. Há muita gente hoje em dia que acha que as empresas são democracias. Não sei como seria há umas décadas, mas aposto que este é um problema novo. Confundem tudo, porque até têm uma conta de Facebook onde dizem toda a espécie de disparates. O problema não é a liberdade de expressão. O problema é haver cada vez mais pessoas que pensam que o mundo lhes deve atenção, respeito, paciência, sem terem de fazer nada para o merecer. Viva a Google!

- Gosto desta t-shirt e não vou comprar, porque o S me fica grande.

- Gertrude Mokotoff, de 98 anos, e Alvin Mann, de 94, conheceram-se no ginásio há oito anos. Casaram há dias. “People always ask what it is that keeps us young,” Mr. Mann said. “Of course, one part of it is medical science, but the bigger part is that we live worry-free lives; we do not let anything we cannot control bother us in the least.” 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:56

Diário estival (2)

por Carla Hilário Quevedo, em 11.08.17

- Law and Order: Special Victims Unit vai na décima oitava temporada e os casos são cada vez mais ambíguos. Num episódio, uma mulher é enganada por um homem que se diz passar por alguém que a pode ajudar na admissão do filho à faculdade em troca de favores sexuais. A mulher enganada não é inteiramente vítima, mas a unidade de Crimes Violentos, liderada pela filha de Jayne Mansfield, entende que se tratou de uma violação, porque o homem era um impostor. Isto suscita vários problemas, nomeadamente o de sabermos se o Estado deve ou não ser chamado a intervir. Fiquei a ver como resolveriam o problema. O episódio acaba com uma tragédia, uma espécie de deus ex machina com a única função de nos distrair do fracasso dos argumentistas.  

- Gostei de ler esta explicação para o badanal dos últimos dias. Resumindo: vai passar.

- Um funcionário, engenheiro, da Google foi despedido por ter escrito dez páginas - dez! - a dar as "razões" do costume sobre a falta de mulheres na área da engenharia. Eles gostam mais de comboios, elas gostam mais de limpar o pó, logo em empresas como a Google há poucas mulheres. Mas alguém lhe pediu a opinião? Por mim, o problema começa aqui. Foi muito bem despedido. A prova definitiva? Peter Singer apareceu a defendê-lo. 

- Ouvi falar de xenotransplantes pela primeira vez há uns anos. Agora parece que pode ser uma realidade num futuro próximo. Recomendo Okja.  

- E é diferente assistir a Game of Thrones na companhia de Leslie Jones. "They give me Bran face!"

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:35

Diário estival

por Carla Hilário Quevedo, em 10.08.17

- O ponto 2 da minha lista de intenções para este ano ainda está pendente e embora ainda não esteja em incumprimento, é oficial que estou atrasada. Não faz mal, acrescento, mas o atraso determina que abrevie as férias e acelere o passo. Foram dez dias no magnífico Alentejo interior, com 37 graus às cinco da tarde. Mudei de cor e estou bem.

- Há dias, num jogo de mímica, houve uma pessoa que encenou a palavra "adultério" para nos fazer chegar ao verbo "adulterar". Achei preguiçoso. 

- A sétima temporada de Game of Thrones arrisca a ser a melhor de sempre. Cada episódio é uma obra-prima, com o ritmo a acelerar e vários encontros sonhados a acontecer. Alguém dizia no Twitter que o quarto episódio foi o sonho de todos os nerds. Acho que tem razão. A reunião das irmãs Sansa e Arya foi fria, dizem algures na imprensa estrageira. Não li o artigo mas pareceu-me natural. Sete anos de brutalidade e violência deixam obviamente marcas. Sei que Arya é uma guerreira que não se interessa pelo poder, mas sou fã. Sansa, por seu lado, poderá ser uma líder justa e equilibrada (embora seja avessa ao risco, o que não é bom). Adoro que Bran diga que já não é Bran, apesar de "ainda não conseguir ver tudo". Faz-me pensar que RR Martin é um gigante que sabe muitas coisas sobre o que interessa. A omnisciência do Three-Eyed Raven obriga à abdicação. Houve quem viesse parar ao bomba inteligente por causa de uma frase de Bran a Littlefinger, "chaos is a ladder", que tinha dito a Varys no célebre episódio da escalada da Muralha. Lembrei-me logo de que fora Littlefinger a dizer aquilo que ouvia, perplexo, de Bran. O que pode acontecer a Littlefinger, agora que é confrontado com aquilo que acreditava ser uma mentira?

- Não há filmes de jeito, mas gostei muito deste. É uma comédia e acaba mesmo como eu gosto. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:06

Pág. 2/2