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por Carla Hilário Quevedo, em 18.10.07
Eu hoje acordei assim...


(trailer teatral de Le Mépris)

... vi finalmente Le Mépris. Às vezes tenho um certo receio de falar sobre as coisas de que gosto muitíssimo porque acaba por ser uma partilha demasiado pessoal em que parece haver da minha parte uma exigência de reciprocidade. Mas não é assim. Nunca foi, nem nunca será. Quem gosta, gosta, quem não gosta, não gosta. Desprezo é uma obra-prima. Entendo agora melhor a influência de Godard em Tarantino. O filme começa com a mais bela cena de amor de sempre e continua com uma proposta de reescrever um guião baseado na Odisseia, tendo como originalidade uma suposição de Paul (o marido de Camille, BB) de que Penélope não terá sido fiel a Ulisses (uma espécie de interpretação deste género). Mas logo no início, acontece uma coisa que determina todo o comportamente de Camille e que Paul não entende (mas Alberto Moravia conhecia profundamente as mulheres, que medo). Paul incentiva Camille a entrar no carro de Jerry, apesar de ela dizer que não, que prefere ir com ele. Paul não só a abandona como a testa, tratando o amor profundo com desconfiança e desrespeito. A partir daí só pode haver desprezo. Além do mais, Paul demora meia hora até chegar juntos de ambos, precipitando a mesma desconfiança na mulher (a mesma que lhe dedicou), sendo assim o responsável pelo mal-entendido. Ontem amava-te muito, hoje acabou, diz Brigitte Bardot (um bom exemplo de Girl Power, por acaso, embora possa não parecer tal a suavidade; ah, e a maneira dramática como diz "Paul" é uma delícia). Este parece-me o ponto essencial do filme, a razão de ser do título. Mas Le Mépris é todo uma maravilha e o dvd traz extras magníficos como este divertido trailer.

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publicado às 08:05