Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



...

por Carla Hilário Quevedo, em 25.10.05
Estudos comparativos

No outro dia, falou-se um bocadinho mais sobre os acentos em grego antigo (um pesadelo que desapareceu quase completamente no grego moderno). Na Gramática de Grego, do Professor Manuel Alexandre Júnior leio o seguinte: "A criação dos sinais de acentuação deve-se a Aristófanes de Bizâncio, por volta de 200 a.C., para facilitar a pronúncia correcta". Isto é muito engraçado. Os acentos não apareceram por causa de dificuldades de leitura, mas por uma questão de musicalidade necessária à língua. E continua: "Se em em português, o acento é marcado pela pronúncia da sílaba com maior ênfase (acento de intensidade), em grego o acento era marcado por uma diferença de tom musical (acento de altura). Com o tempo, particularmente no período helenístico, o acento foi progressivamente evoluindo de acento de altura para o de intensidade". Pois, a musicalidade foi "desaparecendo", embora nunca tivesse desaparecido completamente, porque os acentos mudam de lugar consoante o caso (acusativo, dativo, genitivo) em que se encontram e essa característica faz com que haja um certo ritmo nas frases. Isto é muito engraçado porque pensemos no seguinte: Platão e os tragediógrafos escreviam as palavras todas juntas, sem pontuação, apenas com umas partículas estranhas que indicavam as pausas e que funcionavam como a pontuação (men, de etc.). Por exemplo, tínhamos uma coisa deste género: "Paraestesestuquepensasbemparaaquelesjulgosereu", em grego, aqui traduzido para português, por MHRP, Antígona, Sófocles (Tragédias, p. 332). Podíamos pensar que os acentos ajudariam a separar as palavras e assim as compreender melhor. Não. Eles percebiam aquilo muito bem. Os acentos, afinal, não importavam para nada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:30