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por Carla Hilário Quevedo, em 25.11.05
Ninho de cucos (35)

Ultimamente, tenho apanhado o gato Varandas no quartinho dos fundos, deitado à frente do armário, quase a tocar na gaveta de baixo do lado direito. O quartinho, como o diminutivo indica, é pequeno, e o armário ocupa, juntamente com a porta, uma parede inteira. Isso significa que depois do tal armário não há nada, apenas um canto, uma esquina, e depois a outra parede. Se eu fosse gato, escolhia o recanto para me deitar, mas como não sou, na verdade, não percebo nada de conforto (temos muito a aprender com estes bichos sobre a utilização plena do espaço à nossa disposição). Passados uns dias, lá consegui perceber que a posição, embora à primeira vista parecesse estranha, desconfortável, no meio do nada, era também, ou sobretudo, estratégica: ao colocar-se ali, o gato Varandas tem uma visão privilegiada de quem entra. Trata-se, afinal, de um posto de vigia importantíssimo numa casa cheia de segredos. Sempre que entro no quartinho e o vejo ali deitado, com a cabeça levantada e os olhos abertos, pronto para cumprimentar, parece que o ouço dizer em inglês, que o bichano é educado no St. Julian's: "This place is so hot right now".

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publicado às 13:47