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por Carla Hilário Quevedo, em 18.04.07
Heródoto Miller



Os iranianos andam amofinados com o filme 300, de Zack Snyder, baseado na banda desenhada de Frank Miller. Haverá alguma coisa que não ofenda esta gente? As comparações entre a batalha das Termópilas, em que gregos se unem contra a subjugação dos persas, e o confronto actual entre a América e o Irão, podem ter alguma razão de ser se pensarmos que o país que mais se aproxima do ideal de democracia ateniense é os E.U.A. e que os iranianos são obviamente persas. Mas relacionar os eventos de uma batalha tida em 480 a.C. aos dias de hoje, ainda por cima filtrada pela banda desenhada, é demasiado rebuscado. 300 é um dos filmes menos politicamente correctos que já vi: os espartanos são lindos, bons e livres; os persas são feios, maus e escravos; e até o traidor Efialtes é um ser monstruoso. Chega a ser refrescante! Quando chovem flechas do lado dos persas, Leónidas e os seus homens riem-se debaixo dos escudos. A cena é muito boa, pois as setas, por serem atiradas de longe, eram consideradas manifestações de cobardia. A cena da morte de Leónidas é um exemplo disso mesmo. Segundo relata Heródoto, nas Histórias, os Espartanos, lutaram até à morte "sem espadas com as mãos e com os dentes". Com uma história de heroísmo destas, não pode haver más adaptações.

Publicado na Tabu, 14-04-2007

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publicado às 08:17