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por Carla Hilário Quevedo, em 19.10.03
Recebi também a respeito deste tema alucinante a opinião do João Miguel Pais.



"Tal como um mau escritor, um mau pedreiro não conseguirá construir a sua

casa devidamente, e pouco tempo passado após o término da sua construção (às vezes mesmo durante esse processo), a casa ruirá, ou então será bastante incómoda ou podendo mesmo originar várias doenças aos seus habitantes. Assim, o pedreiro não será pedreiro, pois não conseguiu cumprir o seu objectivo, o de construir uma casa habitável que se possa manter (pelo menos) alguns tempos. De modo semelhante, um mau escritor ou um escritor mesmo muito mau que já passa a ser outra coisa (não sei o quê), criará um livro que não se conseguirá aguentar em pé, mesmo admitindo que se consiga levantar. Assim, tal como a má casa, não cumprirá o seu destino de ser livro."



Discordo, João. Julgo que não fazermos bem o nosso trabalho não serve como critério para nos retirar o "título". Talvez infelizmente.



Sobre a generosidade do escritor, o João diz o seguinte: "Sim, claro (ou até o dever, caso seja necessário). Um escritor é um ser humano que com a sua história ou curriculum) cria sempre uma espectativa. Tal como o pedreiro que construiu uns prédios interessantes no bairro da esquerda, os da direita que vão ser construídos serão tanto ou mais interessantes. Assim, ele cria a sua fasquia, que os bons escritores levantam constantemente. Ou como com um/a amigo/a especial, que não deixa de ser generoso, também pode (mesmo inadvertidamente) causar alguma desilusão."



É verdade. Quando se cria expectativas, é inevitável que alguém, alguma vez, se desiluda connosco. Porque há-de um escritor ser diferente?

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publicado às 17:22