Acordem, caramba!1. Acredito nas Instituições (na Polícia Judiciária, na competência e responsabilidade dos juízes, na seriedade dos processos) e não percebo as teorias sobre cabalas ou conspirações.
2. Quanto ao comentário do
Pedro Mexia, em resposta a um
e-mail sobre o assunto, compreendo que seja o mais cuidadoso que se pode ter neste momento tão grave. Mas, sinceramente, esperava maior revolta.
3. Perturba-me que na blogosfera muitos blogues se tenham abstido de comentar a detenção de Paulo Pedroso ou as suspeitas sobre Ferro Rodrigues, e confunde-me o silêncio quase corporativista do
Abrupto. Por muito respeito que tenha pelo Pacheco Pereira, julgo que não é suficiente entrar na blogosfera para dizer se temos de fazer isto ou pensar sobre aquilo. Já que está dentro de algo em que não estamos, que contribua para que possamos compreender o que se passa. Que diga
aqui aquilo que não pode dizer
ali.
4. Alguém me pode explicar como um ex-Ministro da Justiça põe em dúvida a seriedade de um Procurador da República, que ele próprio nomeou? E, já agora, que alguém me explique como o Presidente da República pode dizer (ouvido no Telejornal), referindo-se a Paulo Pedroso, que "embora acredite na Justiça, não abandona os amigos". Um Presidente da República
não tem,
não pode ter amigos. Tem um Povo a defender, em que ninguém pode ficar impune.
5. Quero ainda dizer que me estou nas tintas para a culpabilidade ou inocência do Carlos Cruz. É preciso não esquecer que se trata de um mero apresentador de televisão, com alguma capacidade financeira, mas com uma intervenção mínima na sociedade. Se o homem é um perverso associal, há formas de o punir. Não podemos comparar a situação do apresentador da
Bota Botilde com a de médicos, advogados, embaixadores e agora políticos, que têm privilégios e deveres superiores ao ser comum. Tudo isto é profundamente terrível porque se trata de pessoas com responsabilidades e poder. Por amor de Deus, não sejamos indiferentes ante este escândalo.