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por Carla Hilário Quevedo, em 15.04.04
Marguerite Yourcenar escreve o seguinte na sua "Apresentação Crítica de Constantino Cavafy": "A poesia grega, por intelectualizada que lhe possa ser a expressão, é sempre directa: grito, suspiro, erupção sensual, afirmação espontânea aflorando aos lábios do homem em presença do objecto amado." Não conheço poesia que não seja intelectualizada, embora conheça escrita que não o seja (uma lista de supermercado – mesmo assim depende de quem a escreve – e o ensaio da Yourcenar sobre Kavafis são disso exemplo). Quanto ao "grito", ao "suspiro", à "erupção sensual" (erupção é péssimo; lembra-me borbulhas, mais que vulcões) e "afirmação espontânea" não percebo nenhum dos juízos. Estaria Yourcenar simplesmente a falar da língua grega? Quereria Yourcenar escrever um texto poético e não um texto de crítica literária? Nunca o saberei. Tanto faz: um como o outro (poético ou crítico), ambos são maus.

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publicado às 19:58