Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



...

por Carla Hilário Quevedo, em 28.09.05
O menino da mamã e da avó (22)

Depois de os Verdurin analisarem o carácter de Swann com uma minúcia típica de quem precisa de aprovação constante e de quem interpreta o desacordo como uma afronta, aparece esta passagem extraordinária. Ao lado, no livro, escrevi "que bom, que bom, que bom". Espero que gostem: "A verdade é que não havia um só fiel que não fosse mais malevolente que Swann; mas todos tinham a precaução de temperar as suas maledicências com piadas conhecidas, com uma pontinha de emoção e de cordialidade; ao passo que a mínima reserva que Swann se permitisse, despojada das fórmulas convencionais, tais como: «Isto não é dizer mal», e às quais desdenhava descer, parecia uma perfídia. Há autores originais que se revoltam à mínima audácia porque não começaram por lisonjear os gostos do público e não lhe serviram os lugares-comuns a que ele está habituado; era desse modo que Swann indignava o senhor Verdurin. Tanto em Swann como nesses autores, era a novidade da sua linguagem que levava a acreditar na torpeza das suas intenções." (281)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:34