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por Carla Hilário Quevedo, em 21.06.07
Ninho de cucos (92)

Um moscardo monstruoso entra a voar desaustinado no quarto. A estratégia zen consiste em fazer de conta que é completamente normal haver bichos voadores do tamanho de uma pescada, acender uma luz forte na sala e esperar calmamente que a criatura voadora se pisgue pela janela entretanto aberta até ao limite do possível. O moscardo que além de monstruoso é tonto lá voa na direcção pretendida. Porta do quarto fechada e com um bocado de sorte o bicho é devolvido aos céus agora sem nuvens de onde nunca devia ter saído. Subitamente, aquilo que nunca na vida se esperaria, acontece - tum, tum, tum bem marcado embora ainda tímido seguido de um rápido tumtumtum a terminar num tumtumtumchiimmmmiaaau. O gato Varandas em três patadas destruiu o inimigo, que não deixa saudades. Abro a porta um pouco com receio do que vou ali encontrar. Um banho de sangue? Na minha sala? With my reputation? Não, o gato Varandas, mais clean do que Winston Wolfe é apanhado a lamber uma das patas com o que parece ser... não pode! não é! 'tão a gozar? o que é que foi agora? sim, o corpo da pescada voadora! Numa rápida reconstituição do cri... da limp... daquilo que aconteceu, apercebi-me de que tonto bicho terá tentado escapar, uma vez que não havias sinais de que o cadáver tivesse sido mexido, deslocado, tampered with, estão a ver? Isso, o gato Varandas não é cruel e por isso decidiu deixá-lo ali ficar e não andou a brincar com a coisa pela sala. Um momento! Não é nada por não ser cruel, que disparate. Passados dois minutos, o Varandas enrolou-se bem enroladinho no sofá e adormeceu profundamente. Esqueceu e dormiu. That's my boy.

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publicado às 20:18