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A luta continua

por Carla Hilário Quevedo, em 25.06.14

Tim Parks, escritor inglês que vive em Itália, escreveu no blogue do New York Review of Books sobre as dificuldades de ler nos dias de hoje. Dá para isso alguns exemplos de frases gramaticalmente complexas, que exigem conhecimentos prévios, escritas por Dickens, Faulkner e Henry Green, autores que não podem ser considerados ‘difíceis’, mas que se foram tornando incompreensíveis. No fundo, Parks fala sobre o modo como líamos antes das modificações brutais que a tecnologia introduziu nas nossas vidas. Até concordo com o que diz. No entanto, acredito que os leitores, no que é essencial, não mudaram assim tanto como Parks sugere. Ser um leitor exige o interesse, ou se quiserem o amor, por outras vidas, outras pessoas, outras circunstâncias. O leitor actual terá mais tentações de se distrair, mais estímulos para ser desviado da leitura. Mas isso sempre aconteceu. Ler é uma actividade que só pode ser realizada por amadores ou curiosos tenazes e incorruptíveis.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 20-6-14

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publicado às 19:27