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Bomba-correio

por Carla Hilário Quevedo, em 12.04.14

A propósito desta citação de Fernando Pessoa e do meu comentário, Hugo Carreira fez-me a seguinte pergunta: "Nova Iorque (a capital cultural e financeira dos Romanos de hoje) também está quase na latitude de Lisboa. E como pode o sermos "capazes só de obter a proporção fora da lei" ser um elogio?" O eixo Atenas-Lisboa-Nova Iorque faria provavelmente sentido para Pessoa, uma vez que "Nova Iorque" é o caso perfeito da liberdade "da pressão do Estado e da sociedade", em que o indivíduo pode crescer e viver com a possibilidade de escolha ao seu alcance, num sistema legal que o protege e não o oprime. Lisboa e Atenas, os helénicos, para obterem a "proporção" (aqui a referência será a Aristóteles e à teoria do meio) necessária à liberdade (e a proporção, ou a moral, é imprescindível para que não nos matemos uns aos outros, por exemplo), têm de se emancipar de um Estado opressivo e dos constrangimentos de leis tantas vezes hostis à liberdade individual. O que me parece que Pessoa está a dizer é que acredita em capacidades que os portugueses têm vindo a negar ao longo de séculos, talvez porque a emancipação do indivíduo não convenha ao Estado. Também não convém a muitos indivíduos, é certo. O que aconteceria em Portugal se um dia as pessoas percebessem que podem fazer o que querem da sua vida? Como em Nova Iorque? Ora aí está uma experiência social que não me importava nada de fazer.

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publicado às 18:27