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Crime na Catedral

por Carla Hilário Quevedo, em 30.12.14

No blogue da NYRB, Martin Filler narra a surpresa que teve quando passados trinta anos visitou a Catedral de Chartres. Quando entrou, no meio de uma missa com nuvens de incenso e música de órgão, sentiu que havia alguma coisa estranha. Foi a mulher, Rosemarie Haag Bletter, historiadora de arte, que desvendou o mistério.A catedral estava a ser restaurada. O fundo da nave pintado de branco, as colunas outrora austeras também estavam coloridas, a imitar um mármore que nunca existiu. As sacrílegas luzes artificiais realçam o horror de um brilho que nada tem de medieval nem de majestoso. Não sabemos qual era a cor original mas de certeza não era aquela. O mau gosto profanou um local que Filler considerava “um paraíso na terra”. Em 2009, o Ministério da Cultura francês deu início ao restauro que acabará em 2017. O valor gasto? 18,5 milhões de dólares. É sinistro que também em França o património esteja nas mãos de patos bravos e oportunistas.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 26-12-14

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publicado às 22:10