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  <title>bomba inteligente</title>
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  <description>bomba inteligente - SAPO Blogs</description>
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  <pubDate>Fri, 17 Apr 2020 07:14:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (17)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-17-2385728</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Não percebo muito bem o que se pretende quando se diz que &quot;há que voltar à normalidade&quot;. Se por essa normalidade se entende sair de casa e ir trabalhar, pois com certeza que sim, há que voltar. Se por essa normalidade se entende que as crianças e os adolescentes e os universitários voltem à escola, pois com certeza que sim. Mas se por normalidade entendemos que devemos esquecer o modo como as pessoas se comportaram durante esta fase difícil para todos, a cobardia que revelaram com o seu pânico, as secas moralistas que nos obrigaram a suportar em telejornais, as opiniões sobre a necessidade &quot;patriótica&quot; do silêncio, só para referir alguns exemplos, pois aí nada poderá regressar à &quot;normalidade&quot;. Não podemos deixar de ver aquilo que nos foi revelado. Resta saber como vamos passar a agir perante tanta informação nova - ou que passou a ser impossível de ignorar.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Entretanto, julgo que percebi por que razão a indignação, de um modo geral, me irrita. A maioria dos indignados, além de estar mais a falar sozinha do que a partilhar a sua frustração (que seria apenas humano), não está interessada em chegar a conclusões. Se me indigno com x+y+z então hei-de chegar a algum lado e mudar a minha conduta, como deixar de assistir a, de ler, de falar com, nos casos mais drásticos. Mas depois como é que o indignado sobrevivia?&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 14 Apr 2020 07:52:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (16)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-16-2385461</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Tenho sonhado imenso; sonhos confusos e atribulados. Ainda hoje sonhei que uma amiga abria um bar no meio de um descampado e andávamos quilómetros até lá chegar. O mais estranho: sonhei com uma pessoa com quem não falava há meses e que horas mais tarde me escreveu. Há coincidências engraçadas, mas nunca podemos dizer tudo, não é? &quot;Que divertido! Ainda há pouco apareceu-me num sonho movimentado.&quot; Como se sonhar com alguém fosse mau. Ou bom.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Entretanto, o &lt;a href=&quot;https://twitter.com/almaradona&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;maradona&lt;/a&gt; anda obcecado com uma pianista chinesa fantástica chamada Yuja Wang. A Isabel Castro Silva já tinha chamado a atenção para esta rapariga talentosa num grupo engraçadíssimo a que pertenço no Facebook chamado Feministas HISTÉRICAS, assim todo em maiúsculas para se ouvir melhor. O nome tem a história que se imagina. Era uma vez um patarata a dizer palermices sobre &quot;as mulheres&quot; e apareceu-lhe a Isabel nos comentários a dar uma resposta, como se costuma dizer, épica. Nasceu o grupo e sou da opinião que deveria nascer mais algma coisa. Mas do que eu gosto é de dar ideias para outros terem o trabalho de concretizar. Voltando à Yuja Wang, é sempre uma maravilha ver alguém - mulher ou homem, na verdade - a fazer o que quer, vestida como lhe apetece. Mais sexy do que ser genial e livre não há.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/2Po5YoTOuEM?feature=oembed&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;width: 480px; padding: 10px 10px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot; loading=&quot;lazy&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 10 Apr 2020 09:19:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (15)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-15-2385317</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- De um dia para o outro, tive de pensar noutros assuntos. Mas não seria incompatível escrever um diário num blogue e pensar noutros assuntos. Arranjamos sempre desculpas para coisas sobre as quais não há culpa. É um caminho fácil e até um pouco vaidoso: &quot;teria feito y se não tivesse x&quot;. Mas é falso. Fiquei com preguiça de vir aqui escrever, é só isso. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Li &lt;a href=&quot;https://today.rtl.lu/news/science-and-environment/a/1498185.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;um artigo&lt;/a&gt; partilhado no Twitter sobre não haver provas científicas de que o vírus é transmitido em supermercados, restaurantes e cabeleireiros. Quem o disse foi um virologista alemão chamado Hendrik Streeck, baseado em experiências realizadas em Heisenberg, o epicentro do surto de Covid-19 na Alemanha. “&lt;em&gt;There is no significant risk of catching the disease when you go shopping. Severe outbreaks of the infection were always a result of people being closer together over a longer period of time, for example the après-ski parties in Ischgl, Austria.” He could also not find any evidence of ‘living’ viruses on surfaces. “When we took samples from door handles, phones or toilets it has not been possible to cultivate the virus in the laboratory on the basis of these swabs&lt;/em&gt;&quot;. O virologista (que não é de sofá) diz ainda: “&lt;em&gt;To actually &apos;get&apos; the virus it would be necessary that someone coughs into their hand, immediately touches a door knob and then straight after that another person grasps the handle and goes on to touches their face.” Streeck therefore believes that there is little chance of transmission through contact with so-called contaminated surfaces&lt;/em&gt;.&quot; Não digo que não devemos ter cuidado, como é evidente, mas uma das coisas que mais confusão me fazia era esta questão da permanência do vírus nas diferentes superfícies, que diziam ser de horas e até dias. As medidas de isolamento social e lavar as mãos são eficazes. Já o resto... &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 03 Apr 2020 08:45:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (14)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-14-2385071</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ainda não vi a &lt;a href=&quot;https://www.rtp.pt/noticias/pais/estado-de-emergencia-a-entrevista-na-integra-a-ramalho-eanes_v1217552&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;entrevista completa&lt;/a&gt; a Ramalho Eanes, mas pareceu-me claro pelo que vi que de maneira nenhuma estava a sugerir que os velhos se deviam sacrificar pelos novos. Nenhuma vida tem mais valor do que a outra. Simplesmente, há pessoas que fariam coisas que outras nunca pensariam sequer. E isso não é diferente do que acontece todos os dias. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Irrita-me imenso que estejamos nesta altura do campeonato pandémico ainda a discutir se usar máscara é bom ou não. No fim disto tudo, a OMS e a própria DGS devem ser responsabilizadas por persistirem neste debate que não é útil. E, por falar em máscaras, &lt;a href=&quot;https://www.theguardian.com/world/gallery/2020/apr/03/masked-statues-around-the-world-in-pictures?utm_term=Autofeed&amp;amp;CMP=twt_gu&amp;amp;utm_medium&amp;amp;utm_source=Twitter#Echobox=1585901633&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;isto&lt;/a&gt; é engraçado. &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;width: 553px; padding: 10px;&quot; title=&quot;6104.jpg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B3218c2db/21751669_WjYy4.jpeg&quot; alt=&quot;6104.jpg&quot; width=&quot;960&quot; height=&quot;376&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;em&gt;The Fearless Girl statue outside the New York Stock Exchange&lt;/em&gt;, Nova Iorque, 2020.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 02 Apr 2020 10:25:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (13)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-13-2384827</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Nunca pensei celebrar um aniversário em plena pandemia. O bomba inteligente faz hoje, gasp!, 17 anos.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Leio o &lt;a href=&quot;http://www.presidencia.pt/archive/doc/Projeto_Decreto_do_PR_Renovacao_Estado_de_Emergencia_20200401.pdf&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;decreto&lt;/a&gt; de Marcelo Rebelo de Sousa e fico assustada. Confesso que não tenho tanto medo do vírus como da crise económica terrível que já é uma realidade no nosso País. A política paralisou perante os números. Só a palavra &quot;contágio&quot; mete medo, mas o que é certo é que não sabemos a taxa de letalidade do vírus, porque desconhecemos por completo (e nunca saberemos) o número real de infectados. Só conhecemos os números de infectados testados positivo, e isto faz toda a diferença. Compreendo que certas medidas apertem com a aproximação das férias da Páscoa, mas custa-me muito não ouvir nenhuma voz discordante deste caminho imposto da quarentena contínua, sem alternativa. Quanto custaria ao País testar pelo menos a população activa? Custaria mais aos países testar, isolar e tratar toda a população ou fechar dois ou três meses? São perguntas sinceras.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 01 Apr 2020 12:32:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (12)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-12-2384627</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Como é que não me lembrei da tuberculose, do bacilo de Koch, que matou que se fartou até Koch o descobrir? Claro que se pode ficar imune a uma bactéria e assim se confirma que a &quot;empatia&quot; descrita por Tucídides dos recuperados com os doentes, por terem passado pelo mesmo, nada mais era do que imunidade. Porém, esta interpretação não faz de Tucídides estúpido. Os gregos conheciam bem a anatomia. Hipócrates conhecia as veias, as artérias, o coração, segundo me contou o &lt;a href=&quot;https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-11-2384167&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;especialista&lt;/a&gt; numa consulta altamente produtiva ao telefone. Mas a Medicina, até chegar ao conhecimento do tratamento e da prevenção das doenças, demorou muitos séculos. Não imagino o que seria as pessoas adoecerem e morrerem sem se perceber minimamente o que tinham, sem se saber nada sobre o que estava a acontecer. Só isto é terrível.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Mas foi febre tifóide ou tifo? Era uma salmonela ou um piolho?&quot;, perguntou.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Era uma salmonela, Pai. Descobriram em 2016, não sei como. Seria qualquer coisa na água?&quot;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;O piolho é que havia muito na guerra. Mas, sim, na água. Uma bactéria intestinal que se transmite pelos alimentos, está na terra, nas folhas e em tudo. O Péricles é que morreu numa peste.&quot;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Foi nesta, Pai. Ele e uns quantos milhares de soldados. Ficaram sem exército para combater Esparta.&quot;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Então foram derrotados pela doença!&quot;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 31 Mar 2020 09:09:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (11)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-11-2384167</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- A &lt;a href=&quot;https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-10-2383876&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;explicação&lt;/a&gt; pragmática era aquela que observamos ainda hoje. Os recuperados da febre tifóide ficavam imunes (vou ter de consultar um especialista para perceber como, uma vez que se trata de uma bactéria e não de um vírus), e por isso podiam aproximar-se dos doentes e cuidar deles. Mas, segundo percebo, esta imunidade não dura muito e houve um novo surto da dita peste três anos depois, em 427 a.C. Voltando à aproximação, que seria fatal para alguém saudável, também não se observava no caso dos predadores e aves de rapina. Os abutres desapareceram de Atenas. &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 30 Mar 2020 09:21:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (10)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-10-2383876</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ontem acordei tarde porque dormi 11 horas seguidas e hoje para lá caminharia se não fosse o sempre agradável som de um martelo pneumático na minha cabeça de uma obra que não parou (e ainda bem). Há quem tenha insónias e há quem hiberne. Ambas são formas de lidar com isto (não sei bem caracterizar).&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;. Lembrei-me da Peste de Atenas, em 430 a.C., e fui ler o relato de Tucídides. A descrição na &lt;em&gt;História da Guerra do Peloponeso&lt;/em&gt; é impressionante. Fiz algumas &lt;a href=&quot;https://books.google.pt/books?id=9P_4EwsZuC0C&amp;amp;pg=PA162&amp;amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;amp;q&amp;amp;f=false&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;pesquisas&lt;/a&gt; para perceber o que terá sido (parecia ébola, por causa das hemorragias) e, ao que tudo indica, foi o primeiro surto de febre tifóide, vinda do Egipto e espalhada a partir do Pireu. Terá poupado o Peloponeso e dizimado Atenas. O dilema colocava-se entre tratar os doentes e ficar infectado ou não se aproximar e deixar morrer quem padecia da doença. Os recuperados eram os que conseguiam tratar os enfermos. Tucídides diz que as causas para este comportamento foram éticas e morais. Os recuperados tinham a experiência do sofrimento e por isso queriam ajudar os que sofriam. A explicação, porém, seria mais pragmática.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 29 Mar 2020 12:31:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (9)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
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  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Um dos perigos do tempo mal empregue é cair na tentação de ver má ficção. Já tive a minha dose com a série &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt8667956/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Freud&lt;/a&gt;, da Netflix. Ainda assim, tem momentos. De resto, Freud é tão Freud (a começar pela &lt;a href=&quot;https://www.irishtimes.com/culture/freud-is-sexually-obsessed-with-his-mother-she-s-one-lucky-woman-1.4212847&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;beleza&lt;/a&gt; do actor Robert Finster) como Fleur Salomé é Lou Andreas-Salomé. Vão antes ao Google Images e não vejam a série. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Gosto mais de escrever de manhã e o mais cedo possível. Mas hoje acordei à hora do almoço e esta hora já é tardia e agora, em vez do pequeno-almoço, vou almoçar. Fica para amanhã.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 28 Mar 2020 10:35:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (8)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-8-2383377</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Li e reli a &lt;a href=&quot;https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-03/papa-francisco-homilia-oracao-bencao-urbe-et-orbi-27-marco.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;homilia&lt;/a&gt; de ontem do Papa Francisco, numa Praça de São Pedro quase tão vazia como aquela em que estive há cerca de dois anos às seis da manhã. As imagens comoveram crentes e não crentes, mas são as palavras que mais contam, tão perfeitamente adequadas ao momento avassalador que vivemos. Obrigada ao Papa Francisco por me fazer pensar na diferença entre optimismo e fé. Aqui fica um excerto desta homilia histórica. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;«&lt;em&gt;Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?&lt;/em&gt;» O início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor como os antigos navegadores, das estrelas. Convidemos Jesus a subir para o barco da nossa vida. Confiemos-Lhe os nossos medos, para que Ele os vença. Com Ele a bordo, experimentaremos – como os discípulos – que não há naufrágio. Porque esta é a força de Deus: fazer resultar em bem tudo o que nos acontece, mesmo as coisas ruins. Ele serena as nossas tempestades, porque, com Deus, a vida não morre jamais.&quot;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 27 Mar 2020 10:06:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (7)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-7-2383243</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Em momentos especialmente difíceis como este, mentir parece ser inevitável. E tudo começa com a mentira do &quot;vai ficar tudo bem&quot; da qual a mentira de António Costa &quot;até agora não faltou nada [nos hospitais públicos] e não é previsível que venha a faltar&quot; é prima. Não seria tão dura a qualificar as palavras de Costa como sendo uma mentira clássica. É mais uma mentira da família do &lt;em&gt;wishful thinking&lt;/em&gt;, tão perigosa como outras. Não estou a dizer que não podemos ter esperança. Digo apenas que a esperança se deve basear na verdade. E a verdade, neste momento, está nas mãos de poucas pessoas. Só isso assusta e serve para alimentar a desconfiança. Por isso é tão importante não ceder à tentação de confortar o povo com a frivolidade do optimismo. (Agora se vê como o optimismo serve para aqueles tempos em que nada de muito especial se passa, Brexit incluído.)&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Entretanto, a carta de Nuno Carvalho a Siza Vieira &lt;a href=&quot;https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/governo/comunicado-de-conselho-de-ministros?i=336&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;surtiu efeito&lt;/a&gt;. Apesar dos ataques e dos insultos de que foi alvo, ainda bem que falou. Houve, claro, muitos que disseram que devia ter ficado calado. Em Portugal, não há pandemia que suspenda a tradição de mandar calar.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- De todos os vídeos maravilhosos que andam a circular no WhatsApp, este de Vincenzo de Luca, governador da Campanha, é o meu preferido. Ai querem organizar uma festa de fim de curso? Nada como uma cargazinha policial com lança-chamas para fazer dispersar os inconscientes. &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/CkV6SosRwrw?feature=oembed&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;width: 480px; padding: 10px 10px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot; loading=&quot;lazy&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 26 Mar 2020 09:42:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (6)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-6-2382955</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ontem à noite aconteceu &lt;a href=&quot;https://twitter.com/search?q=Ascenso%20simões&amp;amp;src=typed_query&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;uma coisa insólita&lt;/a&gt; no Twitter. Começaram a circular tweets do deputado socialista Ascenso Simões em que insultava duas mulheres com o recurso àquela linguagem típica de quem se encontra no grupo de risco principal do coronavírus. Pouco depois do pandemónio, surgiu uma conta de um Ascenso Simões alegadamente verdadeiro a alertar as pessoas para a outra conta de um alegadamente falso Ascenso Simões que andava por aí a insultar perfis de mulheres (a dada altura pareceu-me que o deputado - nesta altura, alegadamente - punha em causa o género das interlocutoras, achando que assim estava tudo bem). A conta pedia que a outra fosse denunciada. Depois disto, rapidamente começaram a circular tweets que contradiziam a tese da conta alegadamente verdadeira. Afinal, o verdadeiro Ascenso Simões era aquele primeiro, que já tinha estado na origem de várias polémicas. Entretanto, a conta alegadamente falsa foi temporariamente suspensa (impedindo o autor de reagir), e o autor da outra recente não resistiu a fazer um tweet em que confirmava esta tese. Aprendam com o PS, que eles, se o eleitorado quiser, não duram sempre.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 25 Mar 2020 09:28:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (5)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-5-2382746</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Há quem acredite, na sua ingenuidade e eterno espírito de tanso, que o momento não é para o combate político. Nem Marcelo, nem Costa nem ninguém neste momento que perceba o que está em causa pensa assim. A união é importante, claro, e o debate, a discordância, o conflito de ideias, a crítica são igualmente importantes. Só num país em que &quot;discordar&quot; é sinónimo de &quot;boicotar&quot; podemos ver tantos cuidados com a liberdade de expressão num momento em que combater - ou seja, falar, discutir, pensar - é mais do que nunca necessário.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Através dos resultados de uma &lt;a href=&quot;https://expresso.pt/coronavirus/2020-03-24-Covid-19.-Costa-ganha-popularidade-com-gestao-da-pandemia-Marcelo-sai-penalizado-aponta-sondagem&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;sondagem&lt;/a&gt; publicada ontem, percebemos que a queda na popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa não coincide com uma subida na popularidade de André Ventura. Pelo contrário, André Ventura cai também. Ora, isto é extremamente interessante (para quem se interessa por estes assuntos), porque revela que 1) as pessoas não são estúpidas, e não vão a correr para os braços de um oportunista porque o Presidente se portou mal nesta crise; 2) há quem insista muito na tese de que criticar Marcelo é dar pontos a Ventura. Qual é objectivo? (Não sei bem se isto é uma pergunta.)&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Entretanto, a &lt;a href=&quot;https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/padaria-portuguesa-escreve-a-siza-vieira-no-proximo-mes-nao-teremos-capacidade-para-pagar-salarios-a-mais-de-1-200-colaboradores-564786&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;carta&lt;/a&gt; de Nuno Carvalho, da Padaria Portuguesa, ao Ministro Siza Vieira, parece ter surtido &lt;a href=&quot;https://expresso.pt/coronavirus/2020-03-23-Lay-off-Governo-alarga-apoios-e-pagara-salarios-a-mais-empresas-em-crise&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;efeitos&lt;/a&gt;, ao contrário do que aconteceu às centenas de idiotas que ontem mostraram no Twitter que estão mais preocupados com o que alguns conquistaram do que com aquilo que todos têm a perder.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Noto uma redução na partilha de vídeos divertidos e imagens engraçadas no WhatsApp. Faz-me pensar que não só eu que às vezes não me apetece ver séries de comédia nem nada que me faça rir. Depois a vontade volta. &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 24 Mar 2020 10:31:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (4)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-4-2382417</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Faço parte daquele grupo de pessoas que não precisa de ser aconselhado a ficar em casa. O isolamento social, o distanciamento social, nada disso me assusta nem perturba. Mas fora este aspecto que muitos vêem como um convite ao tédio, tenho as mesmas preocupações do que toda a gente. Ontem experimentei uma delas, porque achei que era a minha vez de ir ao supermercado. Lá me pus a caminho, cinco minutos a pé em ruas estreitas onde nunca vejo gente. Passaram três rapazes, calados e afastados uns dos outros, um homem a correr, uma mulher parada no meio da estrada a olhar fixamente para o telemóvel. Entrei no centro comercial, com as luzes meio apagadas. As portas já estavam abertas para evitar serem empurradas com o pé. À entrada, ninguém a não ser um cheiro intenso a álcool. Todas as lojas estavam fechadas com o estore corrido para baixo, algumas ainda com avisos colados nas montras que não conseguia ler. Era como se tivesse entrado no centro às cinco da manhã, se alguma vez foi possível fazê-lo. Ao fundo, poucas pessoas, mas demasiado juntas numa fila para entrar no supermercado. Lá dentro, o silêncio dos zombies a pesar fruta para enganar o tempo. Não, o inferno não é estar em casa. O inferno é ver a desgraça instalada de um dia para o outro. Se calhar esteve lá sempre, à espera de um acontecimento súbito e avassalador que nos mostrasse afinal como é. &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;width: 500px; padding: 10px;&quot; title=&quot;image0.jpeg&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B23170cde/21738737_dlLE2.jpeg&quot; alt=&quot;image0.jpeg&quot; width=&quot;720&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 23 Mar 2020 09:49:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (3)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-3-2382209</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Por uma daquelas coincidências que &lt;a href=&quot;https://www.phrases.org.uk/meanings/great-minds-think-alike.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;uma expressão conhecida e mal citada&lt;/a&gt; não explica, no artigo de hoje, &lt;a href=&quot;https://www.publico.pt/2020/03/23/sociedade/noticia/vicio-atencao-1908945&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Miguel Esteves Cardoso&lt;/a&gt; fala sobre &lt;em&gt;fake news&lt;/em&gt;, o tema sobre o qual pensei escrever aqui neste terceiro dia de estado de emergência. Fala sobre as causas da propagação das &lt;em&gt;fake news&lt;/em&gt;: os viciados em atenção esperam influenciar os outros com a mentira; uma droga poderosa porque somos todos mentirosos e, por isso, todos desconfiados. Ontem, depois de receber pela vigésima vez a recomendação falsa sobre os benefícios de beber água morna e sal ou limão - devo dizer que à primeira caí que nem uma patinha, mas tive o bom senso de não partilhar -, e perante um comentário simpático de alguém que respondeu &quot;mal não faz&quot;, desatei a correr no WhatsApp com a espingarda encostada ao peito. &quot;Qual é o mal?&quot;, é a pergunta a que temos de responder. E o mal não é beber um chá de limão, nem bochechar com água morna e sal (para cicatrizar algum problema nas gengivas, e por recomendação do dentista). O mal é a mentira, podemos afirmar sem mais demoras. Mas porque é que a mentira é o mal, pergunta Cálicles. Porque a mentira relaxa as pessoas, filho, indo ao encontro precisamente do descanso por que tanto anseiam. Fá-las pensar que o bicho se mata com &lt;em&gt;shots&lt;/em&gt; de vodka ou bicarbonato de sódio e depois esquecem-se de lavar as mãos. &lt;em&gt;Keep calm&lt;/em&gt; e desliguem as notificações.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ainda sobre &quot;o vício da atenção&quot;, é bastante evidente que estamos muito mais presentes nas redes sociais. Basta ver este blogue, deixado ao abandono em tempos de paz, que ganhou nova vida na pandemia. Estamos todos, mesmo os que não usam a mentira como engodo, a aproveitar-nos desta situação única de termos o público fechado e entediado em casa. Como padres que fecham a porta da igreja com recém-chegados lá dentro na esperança de os converterem. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Entretanto, Stephen Sondheim fez também ontem 90 anos. Espero que esteja fechado em casa há pelo menos um mês, a escrever um musical... ou a descansar. &lt;a href=&quot;https://www.playbill.com/article/watch-this-epic-video-of-broadway-stars-singing-birthday-wishes-and-sondheim-tunes-to-wish-stephen-sondheim-a-happy-birthday&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Happy birthday Mr. Sondheim!&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 22 Mar 2020 09:53:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia (2)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-2-2382034</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Fiquei a pensar se estarei a ser demasiado inflexível &lt;a href=&quot;https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-2381653&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;em certas questões&lt;/a&gt;, agindo, enfim, como é meu hábito. Depressa  (resta saber se bem) concluí que não. Estamos a viver um momento difícil, e é nestes momentos que aquilo que já sabíamos - sabemos sempre, podemos é achar que o mais prudente é não prestar atenção - fica, por assim dizer, mais à vista. A pandemia funciona como o vinho. Ninguém &lt;em&gt;se torna&lt;/em&gt; violento por beber, assim como ninguém &lt;em&gt;se torna&lt;/em&gt; cobarde no combate. Isto significa que a) estamos dispostos a mentir a nós mesmos (se é que tal coisa é possível) por um bem maior e b) acredito que o carácter é qualquer coisa estanque, que se esconde ou revela perante as circunstâncias. Sobre b) admito vir a mudar de ideias, uma vez que a quarentena só agora começou. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Admito que parte de mim, como as mãos que mantenho lavadas e desinfectadas, gostou da &lt;a href=&quot;https://www.publico.pt/2020/03/21/politica/noticia/lider-cds-voluntariase-ajudar-forcas-armadas-1908850&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;notícia&lt;/a&gt; de o presidente do CDS se voluntariar para ajudar as Forças Armadas. Depois tive de me lembrar que &lt;span style=&quot;text-decoration: line-through;&quot;&gt;ainda&lt;/span&gt; não estamos em guerra. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Sob o pretexto aparentemente inócuo de celebrar o Dia Mundial da Poesia, fomos confrontados com poemas &quot;sobre o vírus&quot; de Manuel Alegre, José Jorge Letria e Maria Teresa Horta. Apanhados de surpresa, os portugueses e estrangeiros residentes em Portugal não tiveram como escapar ao surto. Atenção que em &lt;a href=&quot;https://www.abc.es/cultura/abci-poetas-contra-virus-mundial-poesia-202003210100_video.html?ref=https%3A%2F%2Fwww.google.com%2F&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Espanha&lt;/a&gt; aconteceu o mesmo. Como na economia, penso que &lt;a href=&quot;http://portocanal.sapo.pt/noticia/214068/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;as consequências&lt;/a&gt; de tudo isto podem vir a ser realmente nefastas.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Para não ficarmos assim, deixo a sugestão da &lt;a href=&quot;https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=2930117807026764&amp;amp;id=483301655041737&amp;amp;__xts__[0]=68.ARBDyqpQtlYhbxwxIOlwst68GDYMfG6TqBDdGTj3CzuwsScMzohyFT2M8OhEut3ibgWVuNPvdZzk2pEfo1pKC_uM8bHFEyfwRG5OR1_5RBNkFlOGWU8eqf9TdVkQL-JFaUXPMk5B4rJjMimtC6uSatuYopNan3sNj9xQVYkzCvAYAUUjChTmNpXLl0aNhmj-K3MKpM6TIOSjSjIMhds9osC7fQrKPL-wPsWsG3lYc5HNagCVApad60MQZw-ikei5mghesl8Rhzfxg8ikbgoHD1tabefJN2yfWu8XQyuAN-JQEKVK9vN-LmYefpAI1OdC2j-D0eG0AbZtfW0faOn-QLO1RA&amp;amp;__tn__=-R&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Forma de Vida&lt;/a&gt; para o dia de ontem. Ainda vamos &lt;a href=&quot;https://www.poetryfoundation.org/poems/48420/vers-de-societe&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;a tempo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/chJN8Zcrudo?feature=oembed&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;width: 480px; padding: 10px 10px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot; loading=&quot;lazy&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 21 Mar 2020 08:01:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário da pandemia </title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-da-pandemia-2381653</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Escrevi para o &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/opiniao/a-praga-da-modernidade/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Ponto SJ&lt;/a&gt; sobre algumas reacções, muito boas e menos boas, a esta nova realidade pandémica que nos desafia a sermos melhores. Na bolsa dos comportamentos, há já quem caia a pique e quem ganhe pontos. Nada como um acontecimento avassalador - e repentino - para nos pôr à prova. Temos o campo aberto para a prática das virtudes, apesar da condicionante única de termos de viver à distância.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Médicos, enfermeiros, cozinheiros, homens e mulheres que trabalham diariamente na recolha do lixo, caixas de supermercado, jornalistas, técnicos e todas as pessoas que estão a trabalhar neste momento &quot;no terreno&quot;, fora de casa, para o resto da população poder estar recolhida, estão nas melhores condições para a prática das virtudes. Mas como vamos poder ser corajosos à distância, temperados à distância, magnânimes à distância? Há exemplos curiosos nas varandas de Nápoles, num país em que o vírus parece ter matado mais do que na China.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- É importante perceber por que razão a taxa de mortalidade é tão alta em Itália. &lt;a href=&quot;https://www.telegraph.co.uk/global-health/science-and-disease/have-many-coronavirus-patients-died-italy/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Este artigo&lt;/a&gt; no Telegraph dá algumas explicações importantes. Também sobre a forma de combater a disseminação do vírus, gostei de ler &lt;a href=&quot;https://www.theatlantic.com/ideas/archive/2020/03/how-we-beat-coronavirus/608389/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;este artigo&lt;/a&gt; na Atlantic. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Entretanto, apareceram algumas &lt;em&gt;fake news&lt;/em&gt; alegres, como as &lt;a href=&quot;https://www.nationalgeographic.com/animals/2020/03/coronavirus-pandemic-fake-animal-viral-social-media-posts/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;notícias&lt;/a&gt; sobre golfinhos nos canais límpidos de Veneza. É falso, mas ao menos é bem disposto.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 17 Nov 2019 12:00:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário outonal (3)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-outonal-3-2381124</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ainda sobre o caso do bebé abandonado no lixo (que a certa altura passou a &quot;ecoponto&quot;, haja rigor), não estamos preparados para lidar nem com mães más nem com filhos que sobrevivem sem mães. A sociedade condena as primeiras com um fortíssimo julgamento moral. Como se uma mulher incapaz de sentir amor pelos seus filhos fosse uma excepção. Já os filhos que sobrevivem (vários até bem) às mães que os maltratam ou abandonam têm de suportar a pena dos outros; como se fossem pessoas incompletas, sofridas, sem capacidade para ultrapassar o desamor materno. É uma mistura de misoginia e ódio à capacidade de superação do indivíduo perante as suas mais solitárias circunstâncias.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ontem propus que &quot;pecado ecológico&quot; fosse um oxímoro como &quot;asfixia democrática&quot;, mas depois de uma conversa com uma pessoa que &quot;se dá ao trabalho de encadernar jornais nas capas especiais vendidas pelos próprios títulos&quot;, concordei com o argumento de que a &quot;asfixia&quot; neste contexto é metafórica e que por isso haveria um desequilíbrio na comparação. O &quot;pecado&quot; é usado no seu sentido verdadeiro e por isso nunca poderia haver pecados ecológicos nem pecados económicos nem pecados saudáveis. Ou será o pecado ecológico amigo do ambiente? Quando muito, podemos ter o pecado da indiferença face aos problema causados pelas alterações climáticas. É claro que este interessante problema se coloca porque foi o &lt;a href=&quot;https://www.publico.pt/2019/11/15/sociedade/noticia/papa-francisco-defende-pecado-ecologico-estar-catecismo-catolico-1893982&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Papa Francisco&lt;/a&gt; que falou de &quot;pecado ecológico&quot;. Senão, seria apenas mais uma metáfora como &quot;pecado filosófico&quot; ou &quot;pecado literário&quot;. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Só ontem vi &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt6966692/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Green Book&lt;/a&gt;, o filme que muito justamente ganhou o Óscar de Melhor Filme no ano passado. Uma maravilha!&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/QxXJ7vkFk48?feature=oembed&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;width: 480px; padding: 10px 10px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot; loading=&quot;lazy&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 16 Nov 2019 12:28:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário outonal (2)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-outonal-2-2380922</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Escrevi para a Brotéria sobre &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/especial/duas-series-para-ver-em-casa/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Mindhunter&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/especial/ver-uma-serie-state-of-the-union/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;State of the Union&lt;/a&gt;. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ontem ouvi na televisão uma advogada de família a explicar que a prática de abandono de bebés nos hospitais está a aumentar na Europa e que já vários países tomaram decisões sobre o que fazer quanto a este problema, tomando medidas para proteger o anonimato das mães nos hospitais em que os bebés são deixados. Para meu espanto, referiu que há cada vez mais casos de bebés expostos, deixados à sua sorte à nascença, no lixo, em florestas. Talvez este caso terrível do bebé no lixo,  salvo por vários sem-abrigo que passavam naquele sítio, nos leve a reflectir seriamente sobre a miséria em que tantas pessoas vivem hoje, sobre doença mental, sobre como o Estado na verdade só aparece demasiado tarde em situações de carência extrema. Não me sinto preparada para julgar. Deixo isso para os que não fizeram outra coisa nestes últimos dias. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Zeus é um caso de &lt;a href=&quot;https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/819806.html&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;exposição&lt;/a&gt;. Rómulo e Remo também o são. E Moisés. Histórias de abandono são histórias de sobrevivência. &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;img style=&quot;width: 960px; padding: 10px 10px;&quot; title=&quot;Sir_Lawrence_Alma-Tadema_-_The_finding_of_Moses.jp&quot; src=&quot;https://fotos.web.sapo.io/i/B1117d95a/21616700_bVhut.jpeg&quot; alt=&quot;Sir_Lawrence_Alma-Tadema_-_The_finding_of_Moses.jp&quot; width=&quot;960&quot; height=&quot;613&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia images&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Lawrence Alma-Tadema, The Finding of Moses, 1904.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 03 Nov 2019 12:53:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário outonal </title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-outonal-2380631</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Escrevi para o &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/opiniao/quais-politicas/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Ponto SJ&lt;/a&gt; sobre a miséria social no filme Joker, para a qual nem esquerda nem direita têm discurso nem solução. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Correndo um bocadinho o risco de me &lt;a href=&quot;https://twitter.com/carlahaquevedo&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;repetir&lt;/a&gt;, estou há dias a rir com &lt;a href=&quot;https://observador.pt/2019/11/02/joacine-katar-moreira-compara-argumentos-de-daniel-oliveira-aos-da-extrema-direita/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;esta história extraordinária&lt;/a&gt;. Agradeço por estar viva e poder assistir ao momento inesperado em que uma deputada recém-eleita de um partido obscuro diz no Twitter que o grande pregador da moral na blogosfera e fora dela, que &quot;não aceita lições de ninguém&quot; e rotula tudo o que mexe com as suas certezas, o colunista e comentador Daniel Oliveira, utiliza os mesmos argumentos da extrema-direita para a atacar. Não consigo parar de rir! Obrigada, Joacine Katar Moreira. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Numa livraria peguei num livro com o título &quot;Nietzsche para stressados&quot;. Não folheei sequer, mas achei graça à ideia de Nietzsche poder ter um efeito tranquilizante. Reli por estes dias Assim Falava Zaratustra e cada vez gosto mais desta criatura intensa, livre e desassombrada. E que bem que escrevia!&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Coincidentemente, Alex Ross escreveu na &lt;a href=&quot;https://www.newyorker.com/magazine/2019/10/14/nietzsches-eternal-return&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;New Yorker&lt;/a&gt; sobre o &quot;eterno retorno&quot; de Nietzsche. E tudo isto levou-me a &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=nlqdLHK2K-s&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;ouvir&lt;/a&gt; uma conversa entre J.P. Stern e o recentemente desaparecido &lt;a href=&quot;https://www.theguardian.com/education/2019/jul/26/bryan-magee-obituary&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Bryan Magee&lt;/a&gt; sobre o filósofo alemão, em 1987.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 07 Sep 2019 10:51:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário estival (2)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-estival-2-2380265</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Escrevi para o &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/opiniao/politiquice-e-indiferenca/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Ponto SJ&lt;/a&gt; sobre a polémica do despacho das casas de banho.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Com o passar do tempo, há coisas que me repugnam ao ponto de as dizer publicamente. Não me irritam, porque a irritação é um incómodo, uma estranheza, uma impressão. Como tal, está para além do certo e do errado. Sentir repugnância é diferente. Dou um exemplo. Repugna-me que comentadores ou colunistas, ou mesmo pessoas anónimas em redes sociais que opinam a toda a hora sobre tudo, queiram agradar aos outros com as suas opiniões previsíveis, consensuais e, na maior parte das vezes, à esquerda. Não há nada pior do que opinadores com sede de aplausos. Significa que a sua opinião tem em vista um fim que se esgota na vaidade e fragilidade de quem a emite. Não é desinteressada, no sentido mais nobre do termo. Se tivesse um jornal, escolheria os meus colunistas com este critério. O senhor ou a senhora quer ser amado ou amada por estranhos? Se sim, pode ir escrever para outro lado. Se não, fique por aqui a fugir todas as semanas ao que esperavam de si.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 15 Aug 2019 12:40:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário estival </title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-estival-2379778</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Estive imenso tempo sem pôr aqui os pés. Se houve alguém a consultar o bomba inteligente, na expectativa de ler umas linhas, peço desculpa pela ausência escandalosa. Tenho andado distraída. O blogue cumpriu entretanto 16 anos de existência em Abril, mas não sei se esta minha ausência prolongada não deverá funcionar como uma penalização nos anos de serviço. Lá por não ter dito que isto acabou, não significa que não tenha acabado. Mas, na verdade, significa, porque sou muito clara nestes assuntos e noutros. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Escrevi sobre a maravilhosa e inteligente &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/opiniao/cabeca-arrumada/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Marie Kondo&lt;/a&gt; do cabelo lindo para o Ponto SJ e, passados uns meses, escrevi sobre a &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/opiniao/se-nao-tem-solucao-nao-e-um-problema/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;abstenção&lt;/a&gt;. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt5687612/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Fleabag&lt;/a&gt; (as duas temporadas), &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt7016936/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Killing Eve&lt;/a&gt; (sim, as duas temporadas), &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt7211618/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Gentleman Jack&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt7048386/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;El Jardín de Bronce&lt;/a&gt; (a primeira temporada), &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt7278862/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;L&apos;Amica Geniale&lt;/a&gt; (o primeiro livro é cem vezes melhor do que a primeira temporada, mas não podia ser de outra forma) e um documentário encantador sobre o Hotel &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt4151320/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Carlyle&lt;/a&gt; que a RTP 2 teve o bom gosto de transmitir. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Buzino sempre que passo pelo Largo do Rato, de acordo com indicações num &lt;a href=&quot;https://oinsurgente.org/2019/08/09/polemica-com-mais-um-cartaz-da-iniciativa-liberal-ao-lado-da-sede-do-ps/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;cartaz da Iniciativa Liberal&lt;/a&gt; que consegue ter mais efeito sozinho do que mil e uma campanhas eleitorais, debates e idas a mercados incluídos. Não estava a prestar muita atenção a este partido, mas uma resposta precisa e sem piedade de Carlos Guimarães Pinto no Twitter despertou a minha curiosidade. Fui ler o &lt;a href=&quot;https://iniciativaliberal.pt/programa-politico-iniciativa-liberal/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;programa político&lt;/a&gt;. Está bem escrito e bem feito. Refrescante!&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 03 Mar 2019 13:27:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário invernoso (3)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-invernoso-3-2379709</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Escrevi para o &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/opiniao/eu-estou-bem/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Ponto SJ&lt;/a&gt; sobre um programa de televisão que acaba de ser processado por um juiz preocupado com piadas, como acontece normalmente com autoritários e prepotentes em particular e gente chata em geral. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ontem, no Festival da Canção, ganhou o autor da extraordinária frase, &quot;A chibaria nunca viu nascer ninguém&quot;. Só por este verso (sim, verso), Conan merece difusão nacional e ganhar a Eurovisão. Osíris, estás lá! &lt;/p&gt;
&lt;p class=&quot;sapomedia videos&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;iframe src=&quot;https://www.youtube.com/embed/9t5_yUNp0bg?feature=oembed&quot; width=&quot;480&quot; height=&quot;270&quot; frameborder=&quot;0&quot; style=&quot;padding: 10px 10px;&quot; allowfullscreen=&quot;allowfullscreen&quot; loading=&quot;lazy&quot;&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 19 Jan 2019 11:10:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário invernoso (2)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-invernoso-2-2379361</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Adorei &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt9495224/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Bandersnatch&lt;/a&gt; por ser complexo e divertido. Em conversa com uma amiga, achei estranho quando me contou que várias vezes foi confrontada com a hipótese de voltar atrás na história, por isso voltei a ver o episódio e escolhi todos ou quase todos os caminhos possíveis. A história mais longa e interessante é também a mais amoral. Para sobreviver e vencer, não só há que matar o pai, como há que fazê-lo de maneira a que nenhum cão intrometido possa desenterrar o corpo. Tudo bem freudiano como gosto. &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Por falar em Freud, adorei &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt7767422/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Sex Education&lt;/a&gt;, uma série encantadora para todos os que prezam a saúde mental.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Também gostei do &lt;a href=&quot;https://www.youtube.com/watch?v=koPmuEyP3a0&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;anúncio da Gillette&lt;/a&gt; e sou pessoa para fazer de conta que &quot;não percebo a polémica&quot;. Mas é claro que percebo: o mundo está cheio de coitadinhos, sempre ofendidos com o que proclamam não lhes dizer respeito.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Fora isso, de vez em quando lembro-me de uma época, há muitos anos, em que o meu Pai andava farto de gente certinha, bem comportada, que não parte um prato e que não tem um pingo de interesse. Não percebia exactamente o que o irritava, porque era nova. Cheguei finalmente àquela altura da vida em que o percebo perfeitamente.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 26 Dec 2018 09:39:00 GMT</pubDate>
  <title>Diário invernoso (1)</title>
  <author>Carla Hilário Quevedo</author>
  <link>https://bomba-inteligente.blogs.sapo.pt/diario-invernoso-1-2379204</link>
  <description>&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;- Noto que há agora imensa gente a escrever sobre séries de televisão. Muitos nem sequer sabem ler, mas acho muito bem feita para os jornais que lhes, err, pagam. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;Do ano ficam as brilhantes sexta (e última) temporada de &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt2149175/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;The Americans&lt;/a&gt;, quarta temporada de &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt3032476/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Better Call Saul&lt;/a&gt;, quinta temporada de &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt2575988/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Silicon Valley&lt;/a&gt;, e as geniais segunda temporada de &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt5788792/?ref_=ttep_ep_tt&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;The Marvelous Mrs. Maisel&lt;/a&gt;, que a Emily Nussbaum simplesmente inveja (não há outra explicação para este &lt;a href=&quot;https://www.newyorker.com/magazine/2018/12/24/the-cloying-fantasia-of-the-marvelous-mrs-maisel&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;artigo&lt;/a&gt;, que, note-se, é escrito por alguém que sabe ler) e a primeira temporada de &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt5348176/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Barry&lt;/a&gt;. De resto, gostei muito de &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt5191110/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Berlin Station&lt;/a&gt;; gosto sempre de&lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt2249007/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt; Ray Donovan&lt;/a&gt;, porque tenho muito em comum com o protagonista, e dei por mim a prestar atenção a &lt;a href=&quot;https://www.imdb.com/title/tt4179452/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;The Last Kingdom&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: 12pt;&quot;&gt;- Escrevi para o &lt;a href=&quot;https://pontosj.pt/opiniao/quem-sao-os-animais/&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Ponto SJ&lt;/a&gt; sobre a questão das touradas com toda a impaciência que o tema suscita. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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