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Eu hoje acordei assim...

por Carla Hilário Quevedo, em 16.11.14

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Keira Knightley*

 

... no seu artigo no Público, José Pacheco Pereira exprimiu uma angústia que não lhe parece frívola, mesmo para um intelectual elitista: a de não ler "livros novos". Segundo diz: "Já uma vez coloquei essa pergunta de modo biográfico, dizendo que, por regra, não lia nada que não tivesse aguentado dez, quinze anos, de “necessidade de leitura”. Não sei se percebo muito bem, mas imagino que JPP não lê livros que tenham menos de 15 anos (ou então não lê livros em que não ande a pensar há dez, quinze anos, não sei). Um livro com 15 anos não é novo? Persiste a angústia de mesmo assim estar a perder muita coisa. A angústia justifica-se porque está, e sabe-o. Cita os exemplos de Coetzee ou Roth (visto à distância, concluí que dei por perdido o tempo que passei a ler The Dying Animal) para mostrar que a grande literatura ainda existe. Li há dias Os Dias do Abandono, de Elena Ferrante (2002), e posso garantir que poucas coisas "antigas" me entusiasmaram tanto. Aliás, se pudesse voltar atrás, nunca teria perdido o meu precioso tempo a ler Ovídio, que é um chato desinteressante. Preferia ter lido o Freud todo. Ou até todo o Adam Phillips (lerei o que me falta a seu tempo). Penso também que Pacheco Pereira está a ler ficção com a expectativa de aprender alguma coisa, o que me preocupa. Somos finitos, o nosso tempo é finito, como bem diz, por isso o melhor a fazer é "deixar fluir". Abrace os novos. Há vários que batem os velhos aos pontos. Quando os livros são maus, não é por serem novos. É mesmo por serem maus. 

 

* Imagem de um filme baseado num romance de Jane Austen, uma autora com a qual também preferia ter passado menos tempo.

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publicado às 10:35