Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Feira popular

por Carla Hilário Quevedo, em 25.06.14

Por uma razão qualquer que me escapa, a palavra ‘competitivo’ prevê quase sempre uma diminuição de qualidade para conseguir chegar a mais pessoas. Não é preciso ser tão bom, desde que chegue a mais gente e, por consequência, se venda mais. A expectativa está baseada no preconceito de que o público é estúpido e que por isso não deve ser alimentado a caviar. Não reconheceria o valor daquilo a que estaria a ser sujeito. O que é popular passou a ser tudo o que é mau, mesmo para padrões que se julgam baixos do público. Isto para dizer que a Feira do Livro atingiu um ponto demasiado popularucho este ano, com um ecrã gigante instalado em pleno Parque Eduardo VII, onde se gritava por golos. Além disso, havia quase mais barracas de comida e bebida do que de livros. O problema de querer muito chamar gente é descaracterizar um evento cujo primeiro objectivo é vender livros mais baratos aos leitores. Esta descaracterização tem um preço alto a médio prazo.

 

Publicado na Tabu, Cinco Sentidos, 20-6-14

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:13