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Obra feita

por Carla Hilário Quevedo, em 05.04.16

The New Yorker

Cartoon de Mark Twohy, na revista The New Yorker

 

O Varandas, como qualquer gato que se preze, deixa uma obra vasta (na opinião de especialistas) ou um rasto de destruição (segundo os leigos). As costas dos sofás, apesar do espaço, nunca o interessaram e o seu estilo não se caracteriza pela técnica de cravar as unhas e deixar-se escorregar preguiçosamente por ali abaixo. Os cantos e os braços dos sofás, os lados das cadeiras forradas e até alguns cantos de parapeitos revestidos a gesso (uma preferência de juventude) eram mais adequados à técnica do pontilhado (mais conhecido por pontilhismo) que praticou ao longo da vida, seguindo mestres como Seurat ou Signac. Apreciador da minúcia, fez um trabalhinho competente do lado esquerdo de um cadeirão de pele. O treino intenso desta técnica está presente num canto acessível, já rasgado de tanto pontilhar, de um dos sofás. A insensibilidade humana à arte varandiana levou à substituição dos forros das cadeiras por novos e de material menos "pontilhável" (na medida do possível, que é nenhuma), mas as telas já não estavam em condições. O querido gatinho deixou a sua marca e não tenciono para já comprar móveis novos.

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publicado às 14:50