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Um homem

por Carla Hilário Quevedo, em 13.01.17

Obama tomou decisões erradas, falhou muitas vezes e é possível que tenha cometido um erro atroz na guerra da Síria, ao não intervir quando devia. O próprio reconheceu falhas. Errou também quando investiu sobretudo em empresas tecnológicas e se esqueceu das pessoas menos qualificadas para a nova realidade. Disse há dias que teria ganho as eleições se pudesse ter sido o candidato. Perdeu uma boa ocasião para estar calado, porque de facto também foi derrotado. O envolvimento de Obama na campanha de Hillary Clinton foi total, o que faz de ambos igualmente perdedores. 

 

Também fez o que pôde e o que o deixaram fazer. Tirou os Estados Unidos de uma recessão profunda em 2008 e deixa um país próspero. Não sei até hoje em que consiste o Obamacare, por isso prefiro não me pronunciar, mas já Clinton tinha apontado falhas que precisavam de ser corrigidas. Porém, não sei se é muito americano ter cobertura de saúde garantida. 

 

Obama não foi o que muitos esperavam. Por mim, superou todas as expectativas. Ajudou nunca o ter visto como um "messias". Respeitar uma pessoa passa por não a pôr num pedestal. O que vejo em Obama é uma constância na sua vida que me inspira alegria, paz e confiança. Foram oito anos sem escândalos, sem casos extraconjugais ridículos, sem histórias de corrupção. Deu dignidade ao cargo, o que não é coisa pouca. E depois não se pode negar que se trata de um homem inteligente, moderado e cool, com grande eloquência e intuição e que parecia fazer tudo bem, mesmo quando as coisas não corriam assim tão bem. Por isso, falam em Obama e penso num homem. Falam em Trump e penso numa caricatura.

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publicado às 10:52