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Vasco Graça Moura (1942-2014)

por Carla Hilário Quevedo, em 27.04.14

Há quase 11 anos,  lancei esta ideia descarada sobre a autoria de O Meu Pipi. Para negar o boato entretanto disseminado, Vasco Graça Moura reagiu com umas belas décimas de refutação, que depois foram incluídas no livro. Foram publicadas no Abrupto, e aqui estão elas:

 

décimas de refutação

já num blogue o meu pipi?
de um pipi, que caso estranho...
eu vou ali e já venho:
dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

É forçoso que eu desminta
com vigor essa atoarda:
por muito usar a espingarda
e por gastar muita tinta,
não se espere que consinta
na falsidade que li
e me ofende o pedigree:
garanto que não fui eu
o brejeiro que meteu
já num blogue o meu pipi.

quer-se o pipi bem guardado
para uso pessoal:
nestas coisas afinal
deve ser-se recatado.
demais, quem seja versado
nos tiques do meu engenho,
das prosódias que eu amanho
já saberia de cor
que eu faria bem melhor
de um pipi... que caso estranho!

nem da lira tiraria
maior glória do instrumento
quando ao pipi acrescento
a minha morfologia.
e decerto não cabia
num blogue assim o tamanho
do lenho ardendo no lanho.
pipilar pipis na liça
muito enguiça e pouco atiça...
eu vou ali e já venho...

o que é de césar, quem jogue
assim a césar o dê
e se entender o porquê
deixe então que eu desafogue:
que não pus pipi no blogue
nem pus blogue no pipi:
ri melhor quem no fim ri
por redondilha ou quiasmo,
ou por música de orgasmo:
dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

Vasco Graça Moura

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publicado às 19:30